
O quarto abrigava a mim e ao meu silêncio. Não havia muito a fazer. As tentativas em grau acentuado ficaram perdidas. Apenas o meu coração sentia e ressentia uma dor antiga.
Abafei as emoções. Imaginei que a sua eclosão poderia ser intempestiva. Enxuguei as lágrimas e me distraí com o azul acetinado dos meus lençóis. Minha mãe já não podia me acalentar. Terrível sensação de saudade daqueles tempos. Não pensara que uma mãe também podia ficar enferma e, pior que isso, ir embora.
A minha infância e a minha juventude brincavam em minha mente. Recordei o ontem e vivi o hoje. Agora era eu a protetora, sentindo falta de quem me protegesse. Na maturidade, ficar sozinha sem pais e em busca de fraternidade, doía muito.
O quarto abrigava a mim e ao meu silêncio. À tardinha, um tanto escurecendo, sozinha pelas circunstâncias habituais, abafei as minhas emoções. Estas, haviam resolvido me fazer morada.
Busquei a música e rolei na cama. Ainda bem que podia ter a minha sensualidade estética gratificada. O azul acetinado dos lençóis me deixavam alegre. Tive vontade de sorrir, mas não combinava com a minha situação real....
A vida e suas nuances. As perdas e ganhos, de que tanto fala a grande escritora Lya Luft.
Pesei tudo e calei as minhas emoções. Era este o melhor caminho. Senti que a vida já é bela por viver. Neste momento, abafei tudo que não fosse o bom de mim. Afinal, o meu quarto abrigava a mim e ao meu silêncio!!!!
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