
Bate coração, nem que seja descompassado. Estou querendo e desejando que o mundo gire com as suas voltas recheadas de muita luminosidade.
Há uma noite resplandecente e um desejo de curti-la da forma que me convier.
Não foi tarde a minha descoberta de que cada um se revela à sua maneira. Aprendi a viver e a conviver, a morrer e a viver pelo outro, a silenciar a minha dor e a gritar de muita satisfação.
A idade madura e os meus ganhos. A verdade camuflada ao meu favor e a descoberta de que, às vezes, nem o choro convulso convence. Há um quê de saudade e outro de muitas lembranças.
Sinto o cheiro do mar e ouço as ondas que se quebram, trazendo mil recordações de infância. De um tempo que se foi carregado de nunca mais. Estranha sensação que eu conduzo para não recordar momentos de agoniadas noites em Candeias. Havia alguém faltando. A minha mãe longe do meu teto e a incerteza de que os tios substituíam tudo isso.
Bate coração, nem que seja descompassado. Pelo menos bata, contanto que eu tenha a certeza do tempo presente e de que é preciso muito para me deixar no abismo da tristeza.
Noite, noite minha. Tão minha quanto sua. Uma noite onde as estrelas podem e devem brilhar. Eu só não quero a verdade que dói e a mentira que disfarça....
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