Especial!!

Especial!!
Linda!!!!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Sem ilusões....


Havia ontem uma vontade muito grande em fazer algo que viesse fugindo do habitual dos meus últimos dias. Completava um mês da morte de minha mãe e eu já havia chorado mais do que o meu coração permitia. Mais do que as minhas lágrimas suportavam cair em meu rosto.
Foi um dia atípico. Saí pela praia de Boa Viagem, caminhando sem destino, ao mesmo tempo que lembrava dela e rezava muito. Impossível fugir de pensamentos quando estes alçam voo e permanecem em nós, como se possível fosse sairem de nossos pensamentos. Contradições que se tornam avessas ao real sentido dos mesmos.
Deixei me iludir com o lúdico da minha infância e comecei a apanhar mariscos, repetindo tudo que fazia na minha infância. Era uma forma e uma maneira de fugir da realidade, fato este por quem o meu coração chorava e se mantinha apertado, dando receios de possíveis consequencias. Medo de cair no ostracismo da tristeza que uma vez já me levou quase à morte.
Com todos esses detalhes insistentes e persistentes, consegui fazer do mar e das areias de praia, o momento propício para não cair num estresse grande, que muitos duvidam, sem se darem conta de que em pensamentos dos outros, não existe quem consiga decifrar. E daí começam as discussões sem fundamento, sem justiça e muito mais.
A criatura humana é, talvez, muito complexa e até inconsequente. Que continue do jeito que lhe convier. Já me afastei de certas minúcias e de certas faltas de querer bem.
Esse texto terminou sendo uma miscelânea de assuntos, por mais que a Literatura assim não recomende. Faz de conta que gosto sempre de mudar de alhos para bugalhos, com toda a minha liberdade de escrever, sem atingir nenhum dos meus convívios ou não...
Escrevo de forma tumultuada em meu trabalho, visando sair da mesmice de muitas mesmices. Das responsabilidades que são muitas. Havia uma inspiração ainda atormentada e quando assim estamos, é preciso tomar uma solução. Ou então, nos conformemos com a realidade sem ilusões...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Acordes da vida...


Sozinha em meu quarto, alheia aos acordes da vida, sinto-me diferente e domino com relativa dificuldade o sentimento que se instala em mim, indefinível e silencioso.
Também pudera, o estar só já é um estado de espírito que , se não entristece, pelo menos dá vez ao imaginário de nossas mentes.
Sozinha em meu quarto, tento me deleitar com o aconchego do canto/recanto, ornamentado de flores e de lençóis azuis acetinados. Pelo menos, a solidão não consegue fazer com que os meus olhos não sintam a beleza deste esplendoroso quarto, preparado com as mãos do perfeccionismo e da sensualidade.
Estou só fisicamente. O meu esposo e a minha filha se encontram ausentes na labuta de seus dias.
Penso em tudo e em quase nada. Preencho as lacunas com temas sérios e outros um tanto fúteis. Ouço Maria Betânia e me deixo transportar pelas letras de seu repertório.Ai de mim se não tivesse tantos aparelhos que dão ao meu quarto, quase"jaula", um toque de magia e de fuga...
A vida e suas nuances. Um dia sim e outro não. A união desfeita e os mecanismos de defesa atuando de forma inevitável.
Sinto saudades e perdoo o tempo que chegou quase devagarinho, arrebatando laços que, talvez, nunca se tornaram nós. Por isso desataram na continuidade do nunca foi.
A Filosofia toma o lugar de minhas palavras e permaneço calma e inquieta, ao mesmo tempo. Sentimentos contrastam e se amarram. Difícil entender o que sinto. Vida, vida minha.
Fui me tornar escritora, ou não, em tempo muito diferente da existência de meu pai, herdando a sua intelectualidade em grau mínimo, mas fazendo jus a esta Genética.
A noite cai e a lua aparece iluminada. Ainda estou só, no meu canto/recanto, fazendo de mim uma mulher mais destemida. E que venham os sonhos e a certeza de que estou mudada...Difícil, mas não impossível, meus amados leitores

domingo, 22 de setembro de 2013

E de sonhos irreais....


A madrugada me deixou acordada. De olhos abertos na escuridão, deixei os meus pensamentos soltos e perdidos em cenas que já foram vividas e revividas. Já disse que em noites assim, tudo parece mais pesado e até mais fantasmagórico.
Pedi a Deus e aos Santos que me dessem o sono da madrugada, mas enfrentei-a com resignação e sofreguidão. Imaginei de tudo , do antes ao depois. Pensei muito em minha mãe. A dor da perda era inconformável. De luto recente, esqueci ou fiz esquecer os últimos tempos dela em tamanho sofrimento, para deixar que a saudade tomasse conta de mim. Não há como esquecer todos os seus mimos, a sua dedicação materna, a sua proteção e o Porto Seguro que foi para mim. Tamanha dor e uma saudade sem dimensão.
De olhos abertos, queria lhe ver e conversar. Falar de tudo , de sua ausência e do meu padecer. Madrugada insone de tantos pesares.
Depois vieram as outras cenas futuras, imaginadas e vividas como se pudéssemos viver um futuro apenas inventado e reinventado, apontado pelas situações atuais que podem mudar como um dia que ficou tão diferente....
Senti saudades do antes e do depois. Daquilo que é real e presente, elevado hoje para uma vida que ainda está por vir. Madrugada insone de tantos pesadelos, acordada. Existem imaginações que se tornam quase fatos e que nos levam a vivê-los por força de tanto poder.
Em lençóis de cetim, coberta e de olhos abertos, pude ver as sombras que, mesmo na escuridão, eram sombras. Madrugada boa e adversa. Não houve plenitude. Foi uma madrugada de sonhos, de lembranças, de medos, de alegrias e de pensamentos, numa miscelânea de sentimentos. Não foi madrugada de horrores. Foi de saudades contidas e de sonhos irreais....

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Da minha varanda...


Da minha varanda,
Espero ansiosa
Oh amada lua cheia,
Anunciada e almejada.
Lua, iluminada e resplandecente.
Passou para mim
O tempo dos enamorados,
Mas ainda permanecem as chamas do amor infinito...
Oh amada lua cheia,
Iluminaste as minhas noites,
Quando a juventude era tão bela.
Hoje, na maturidade,
As chamas acesas
Ainda são o meu alento
De um amor perene,
De um desejo íntimo e profundo!!!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Ai de mim, neste momento...


Coloquei os meus óculos. Não havia luz e o tempo era ermo. Acendi a vela e peguei a lamparina, lembrando tempos de antigamente, como já havia lido em livros. Tinha eu plantado rosas e colhido espinhos. Absorta em meus pensamentos, indagava-me silenciosamente o porquê do acontecido.
Talvez não me fosse surpresa esta dor , mas se constituía quase um pesadelo acordada. Estava com frio , pois aquilo que não se espera, arrepia...
Teci os meus pensamentos, um a um, na certeza ou quase certeza de uma caminhada tortuosa , onde tudo poderia ser mudado. Ai de mim, neste momento.
Voltei ao passado e deixei de lado as fotografias, prova maior do que aquilo que se passava no meu eu. Estava quieta estes dias, mesmo sendo vítima de uma agitação explicável, mas não aceita....
Apelei para o meu Tercinho. Ele sempre me faz companhia. Trago-o comigo e nunca perco a fé junto a ele. Este foi o meu consolo. Fiz das minhas Orações a última esperança.
Coloquei os meus óculos. Era necessário assim fazer. Não havia luz e o tempo era ermo. O telefone sem razão de existir mais, permanece mudo. Tenho , por isso, sentimentos avessos a minha ternura tão incorporada desde criança. Esta criança que, por certo, me deixou, quando a inocência me abandonou. O mundo se encarregou de me mostrar a maldade, a injustiça e, agora, os espinhos...
Estava quieta em meu cantinho. Uma força interior me impulsionou ao meu blog. Não sei se fiz bem ou se fiz mal. Quando a dor é tão doída, é necessário uma solidão inerente ao peso do fato.
E vocês, meus leitores, assíduos na busca de mais um texto, ficam hoje perdidos num turbilhão de incógnitas. Já escancarei muita coisa. Mas, agora não. Perdoem o meu momento. Ele haverá de passar. Já perdoei a muita gente, deem-me agora o aperto dos seus abraços. Estou um tanto carente de vocês, também...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Nem Rei e nem Rainha...


Precisava escrever este texto, nem que ficasse mais de dez dias sem escrever uma linha. Há momentos em que nos sentimos pequeninos, fragilizados e necessitados de uma mão amiga e de um abraço apertado. Nesse instante não existem Rei e nem Rainha, Príncipe e nem princesa. Terrível engano dos onipotentes, a insensatez do sempre igual. A vida mudando em frações de segundos. Parece até a nossa pressão arterial que em tres minutos está diferente. Esta comparação, tão a grosso modo, reflete um pouco do meu estado de espírito. Oxalá, consiga eu um pouco de paz.
A vida e suas nuances. Os mistérios e a realidade. A certeza andando lado a lado com a incerteza. A felicidade plena que acho nunca existiu. O dinheiro se transformando em fome. Os carinhosos e os frios de ânimo. Eu menor do que os menores.
O mundo dos pequeninos, a miséria dos descamisados, os pseudo castelos tão transitórios. O mundo muito pequeno para me sustentar neste instante. A perda do chão e a dificuldade para caminhar. O passado esquecido e a ingratidão tomando conta do nosso presente. A lágrima contida e a saudade apertada...
Vida, vida minha. Tamanha é a dor e pequenas as palavras. Escassas palavras. Mimos ausentes. A dor do outro sendo apenas a dor alheia. A ilusão do sempre igual. A eternidade longínqua. O infarto inusitado e a morte fulminante. Tanta beleza substituída por desespero. O Deus dos que têm fé e daqueles que são agnósticos. A medalha e o seu reverso. O riso e o pranto tão perto um do outro...
A noite substituindo o dia. A escuridão que substitui tanta luz. O medo e a falta de temores. O ser humano esquecendo de sua condição. Momentos de fragilidade e o mundo girando. Eu assumindo o lugar do outro e o esquecimento do outro de que nada somos....

Antes que lhe fizesse estragos...


Aos poucos, vamos mudando as nossas condutas e as antigas atitudes ficam para trás. Aos poucos, esquecemos as insistências nossas, os desprezos sofridos, as negativas frequentes do nosso vizinho e começamos a entender que o tempo é outro e que existem alternativas para trabalharmos os nossos caminhos. Há coisas e até pessoas que não nos pertencem mais. Há um limiar em nossos comportamentos. Existe um eu amargurado que pede mudanças... E o cotidiano, antigo hábito, se transforma e sofre mutações várias.. É a vida!
Não, não foi fácil. Rezei muito e insisti mais do que poderia ter feito. Tenho um perfil que comporta muito amor, solidariedade, uma dose de inocência e, acima de tudo, o perdão.
Em meio às tempestades, sofri um bocado, talvez aquilo que merecesse sem saber por quê. Às vezes, sinto-me perdida e , em outras, cultivo em mim um sentimento de conformação e de maior bem estar. Impossível me machucar tanto e chorar as lágrimas da injustiça. Isso dói e dilacera.
Vida, vida minha. Em meu quarto, procuro me aconchegar, deito e rolo, penso tudo que quero refletir, faço castelos no ar, vou tecendo mecanismos de defesa, faço leituras, vejo a televisão suportavelmente.
O tempo me ensinou muito. Aprendi a calar e falei menos. O silêncio em mim se fez maior e notório. Não tenho mágoas e nem rancores. Fiz muito do que mandou o meu coração e este nunca envia mensagens avessas e agressivas.
Aos poucos, descobri-me outra. Ainda que tivesse abafado a minha liberdade de falar, achei melhor assim.Que os meus leitores compreendam as minhas mudanças. A vítima não se tornou protagonista,

mas acompanhou o tempo, antes que este lhe fizesse estragos....

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DESTAQUE!!!!



A CERTEZA DE NÓS DOIS

Nilo Pereira

A Lila, no dia do seu Aniversário.


Como é doce viver à sombra dos seus olhos

Nessas horas felizes,

Nesses momentos em que a nossa vida

É uma só vida,

Nesses momentos em que sentimos

A integração do nosso amor.

Então os nossos seres são um único ser

E os nossos olhos se confundem

E as nossas almas se abraçam

Na plenitude misteriosa do amor.

Não somos mais dois, somos um só,

Como se um só fosse o coração,

Tão largo como o tempo,

Tão infinito quanto o eterno.

O amor realiza a unidade.

Desaparece o tempo, foge o espaço,

O céu e a terra vivem de um único abraço,

Todas as estrelas brilham,

As águas se iluminam,

As florestas se enchem de mistérios,

As vozes da noite são suaves e puras,

Os anjos cantam, trazidos por uma brisa macia,

Como se todo o universo fosse a nossa unidade,

A totalidade do nosso amor.

Morreram todas as dores,

O mundo está calado e deserto,

Como se tudo fosse vago e incerto

Para só haver a certeza de nós dois.

E então as nossas almas fogem

Cheias de poesia,

E se embalam nas nuvens

E beijam as estrelas

E cantam com os anjos,

Refrescam-se nas águas puras,

Ganham depois os espaços infinitos

Esquecidas do tempo.

Sussurram com as florestas,

Aprendem o canto os pássaros adormecidos,

E a noite se enche de um luar de poesia,

É quando as coisas perdem a cor,

A forma e tudo.

Um novo mundo começa

Como se um novo Jeová

Tirasse luzes imprevistas

De outras Nebulosas.

E as nossas almas unidas.

De mãos dadas,

Diáfanas e encantadas,

Voam, cantam e dançam,

No milagre perene da unidade,

Na mocidade esplêndida do Amor.

1941


** Poema escrito por meu pai (Nilo Pereira ) à minha mãe Lila, quando ainda noivos, em 1941. O poema está no seu livro NOTÍCIAS DO INVISÍVEL. Faz parte do arquivo do meu irmão Roberto Pereira, amado filho, pela sua dedicação e amor sem dimensão...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tão nossas....


Volto ao meu quarto como se fosse eu ainda a mesma. Tento , mas não consigo deixar de ter medo. Penso que ontem encerrou-se mais um capítulo da minha vida. A Missa de sétimo dia de minha mãe me deixou fora de mim. Dá-me a impressão que nada será e nem poderá ser como antigamente.
Ela se foi, como disse o Padre Caetano. Essa certeza dita e pronunciada com viva voz deixa a família amargurada. A realidade é esta, mas a ilusão vinda de um consciente adormecido deixava em mim a negação do fato.
Volto ao meu quarto preparado como sempre, com lençóis de uma alvura inebriante, com bordado inglês e com todos os artifícios para me deixarem bem. Olho os cantos e os recantos, deito na cama e permito-me pensar com todos os sentidos. Antes, as agruras, os medos e as inseguranças tinham em mim a certeza de que seriam resolvidas. Telefonava, matava as saudades e combinávamos, eu e mamãe, como resolvermos as minhas angústias. Ela sabia de tudo da minha vida. Contava o meu dia, falava do trabalho, pedia conselhos e ouvia as suas palavras. Ao ouvir a minha voz, dizia: Alguma novidade? Novidade só quando é boa.
De forma inquieta, ando a casa toda. Perambulo diferentemente e volto ao quarto. Abro o janelão e olho o céu. Uma estrela luminosa parece representar a minha mãe. Estou só e, neste momento, fantasmas alucinados me fazem ver o quase infinito imaginado, idealizado, criado pela minha imaginação.
Vida, vida minha, aprendo a cada dia, mudo a cada minuto, choro de emoção e declaro guerra aos acontecimentos que ainda não foram bem codificados.
Tenho medo. Quem me conhece, sabe bem o por quê. A noite passada foi entremeada de insônias. Há uma esperança em mim de que a sua morte se transformará numa grande saudade, com ótimas lembranças .
Leitores, desculpem se o tema já se torna repetido. Acharei um meio de guardá-lo só para mim. Se a vida já me ensinou tanta coisa, um dia vou encontrar em meu quarto o alento para as angústias difusas, já que não me conformo de não ter terminado com mama as nossas conversas tão nossas.
Fica em paz, maminha. Que Deus tenha lhe recebido de braços abertos. Seja muito feliz junto ao Pai!!!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

É sempre a maior....


Movida por emoções, sou capaz de me modificar quase toda. Impossível conseguir, em sua totalidade, que as emoções não mexam com o nosso físico, psíquico e social.
A vida e suas nuances. Os sentimentos nem sempre iguais. O tempo acarretando benefícios ou não. As pessoas e o mundo dando os seus giros. A gente, um dia sim e outro não.
Movida por emoções já tomei decisões precipitadas, já chorei por impulso, já tive arrependimentos, já cometi atitudes adversas e disse palavras que não seriam do meu vocabulário.
A maturidade me fez lapidar os meus poucos erros e me ensinou a usar mecanismos de defesa que passaram a controlar as minhas emoções, na medida do possível e, às vezes, do impossível.
Evidentemente, que existem aquelas emoções de tão grandes proporções que nos deixam perdidas no comando das próprias.
Hoje, vivencio mais um dia de luto. A morte de minha mãe me fez ficar inquieta e se alojou em mim uma angústia difusa que me deixa entristecida. E a emoção, mais uma vez, toma o maior lugar em meu ser e eu choro baixinho e convulsamente porque a dor foi forte demais.Não tem maturidade que sufoque a perda da figura materna, a impotência diante da orfandade ou a certeza de que partiu para nunca mais voltar.
Encontro-me na Universidade. Estou só e reflexiva. Dilacerante é a dor em meu peito. A insuportável sensação do vazio. O sofrimento e a lacuna tão grandes quanto dolorosas.
Movida por emoções já quase me tornei outra. O pior ou o melhor é que falta, por vezes, um entendimento do outro. E aí cabe a nós o consolo sozinha, abandonada, mas com fé.
Movida por emoções, vou vivendo e vou caminhando, fazendo do pior o melhor e do mal o bem.
Sinto, neste momento, que é hora de parar um pouco. A inspiração vai indo embora porque a emoção é sempre a maior...

domingo, 8 de setembro de 2013

E nem conto de Fadas...


"Eu pensava já ter visto tudo....mas....". Esta frase é de autoria da grande escritora Lya Luft e cada vez eu me toco mais com as nossas afinidades e a nossa forma de pensar bem parecida. A vida parece ser vista por nós duas sob um ângulo que se assemelha e se completa.
E daí , partindo de acontecimentos reais, nunca imaginados, neste momento, me surpreendo e vejo que o inusitado não é criação e nem conto de fadas.
Vivo um momento de luto por morte de minha mãe. Que os meus colegas deixem-me falar e desabafar. Acudam-me porque é meu esse instante. Não comparem. Cada um com cada qual. É UM MOMENTO ÚNICO, ÍMPAR NA MINHA FORMA DE VIVENCIAR.
Perdi o meu pai há vinte anos atrás.Não comparo e nem comparei em momento algum. O tempo foi outro, a dor foi cruel, mas hoje é diferente. Não em dimensão. É que eu mudei, a vida me deu ganhos e perdas, a afetividade não parece ser desigual, porém já tenho novos valores que não estavam arraigados naquela hora, numa idade diferente, num Rio cuja correnteza deu voltas.
Sinto-me fatigada física e mentalmente. Sentimentos que eu guardo na minha caixinha de segredos, tenho remoído. Para bem da verdade, estou irritadiça perante a morte e o morrer. Minha mãe me deixou uma lacuna incalculável. Quando o meu pai se encantou, ficou a minha mãe. Hoje não tem mais ela e nem tampouco ele. Há aí já um diferencial que, julgado, pensado e repensado não é a mesma coisa.
Permitam-me que eu desabafe uma , duas, seis vezes. Há uma escuridão em meus olhos. Desculpem-me se quero colo, mesmo de maneira forjada. A maturidade me deu muito e muita coisa, mas não me ensinou a ficar ÓRFÃ DE PAI E DE MÃE.
Meu pai era a figura que me acudia nos momentos quase sempre incertos. A minha mãe, um porto seguro, a certeza das maiores incertezas. A mulher das prendas do lar e a doação completa a nós todos, os seus rebentos tão seus.
O meu pai, o meu orgulho, querendo ou não, pela figura de Homem Público. Agora, nem pai e nem mãe...e então...
Vou me conformando aos poucos. Deem-me um tempo, deixem-me contar e recontar a sua morte. Tudo passa e fica a saudade.
Afinal, afinal "O Tempo é um Rio que corre." Este é o próximo livro da escritora Lya Luft. Aguardemos.....

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Saudades, Mamãe!!!!!!


Este talvez seja o texto mais difícil para eu escrever. A dor é grande e a saudade é sem dimensão. Você se foi, mamãe, sem que nunca quisesse eu aceitar a sua partida para não mais voltar.
Deixo que as minhas lágrimas molhem o meu rosto, revivendo toda a nossa cumplicidade, detalhada e intimamente reservada . Com certeza, as nossas conversas, tão nossas, haverão de ser terminadas um dia, quando nos reencontrarmos.
Paira em mim um mundo de recordações que me deixam absorta e contribuem para que haja uma dificuldade grande até em começar a escrever.
Difícil entender tanto amor devotado por minha mãe aos seus seis filhos. Com ela aprendi a ser boa, a ter solidariedade, a ter pureza, a não alimentar rancores e , principalmente, a perdoar.
Mãe extremamente dedicada, cuidou de cada um dos filhos, dando no momento oportuno o seu maior amor e a sua maior doação. Nunca me faltou nos meus momentos de alegria e na certeza minha de que encontraria nela o meu porto seguro. E sempre encontrei...
Inúmeras e inúmeras vezes foi a UPE, no meu ambiente de trabalho, para me confortar da forma como ela julgava fosse necessário. Foi uma mãe plural e única , de acordo com a hora propícia de cada um dos seus rebentos.
Era a pessoa que eu mais admirava. Linda pela própria natureza, ostentava uma simplicidade que lhe fazia sinônimo da sua falta de orgulho.
Da infância a idade adulta e à maturidade, tratou-me com muita ternura, não medindo consequências para me ver bem.
Falar de saudades neste momento é quase uma redundância do que já mostra a minha face entristecida, onde as lágrimas fizeram morada, desde o dia de ontem.
A minha infância de tanta segurança em minha mãe, a minha adolescência ajudada por ela nos mínimos detalhes, a fase adulta, o nascimento de minha filha e a maturidade, não poderiam ter sido tão boas sem o exemplo de minha santa mãezinha.
Mãe: não me preparei para viver sem você. O velho sobrado, arquivo vivo de nossas peraltices, de nossos namoros, de nossas alegrias, da tristeza com amores rompidos, tinha em você a figura principal e conselheira. Se nele fomos felizes, devemos , em grande parte, ao seu alento.
Como então me separar de você, minha mãe? Acho que ainda não cheguei à resposta desta pergunta: por que as mães morrem?

Repito este texto, estimulada pelos mais de oitenta e-mails recebidos de leitores, enaltecendo as minhas inspiração e emoção.Além de um grande número de elogios presenciais.
Texto feito por mim um dia após a morte de minha mãe. (Sexte feira, 30/08/2013.)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Rolo na cama...


Tento abrir o meu coração em pedacinhos,
Como se possível fosse.
Sozinha em meu quarto,
Rolo na cama
E sonho sonhos perdidos....
Tento abrir o meu coração em pedacinhos,
Sinto tudo que imagino,
Dias passados e outros futuros...
Penso e repenso,
Conteúdos reais, imaginados e impossíveis.
A vida é um enigma,
Tão bela quanto inusitada.
Tarde de amores perdidos,
Daqueles queridos e portos seguros.
Eu e os meus pensamentos,
Você que não pode vir
E eu que não lhe esqueço...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Lágrimas de saudades...


E o mês de setembro chegou, como haveria de chegar. Com sonhos, com flores, com o sol aparecendo e reaparecendo, para alegria de muitos e trazendo as esperanças daqueles que tanto esperavam.
E o mês de setembro chegou sem algumas sombras, mas com a realidade doída de quem não queria que assim fosse. Setembro chegou sem a minha mãezinha, trazendo-me a triste condição de órfã, para quem já esperava, porém não aceitava acreditar.
E o mês de setembro chegou. Quem me vê agora, vê em meus olhos uma tristeza manifesta, olheiras aparentes, choros convulsos que vêm inesperadamente. Já estava, na certa, escrito que o dia 29 de agosto levaria a minha mãe, encantada numa manhã de quase setembro. Esta bruxa malvada levou na mesma data, de anos bastante diferentes, a minha mãe e a minha avó paterna. Logo no mês do meu aniversário.Deixou-as vivas todo o mês , para levá-las para longe, antes que setembro chegasse.
Lembranças de tempos idos, da segurança que nunca me faltou, das mãos de minha mãe apertando as minhas nos momentos mais difíceis.
O horror da morte e do morrer, eu assisti lentamente, ou não, os apitos do oxímetro mostrando pouco a pouco as batidas do seu coração indo embora, até deixarem de existir....
Terrível sensação do nunca visto. Os seis filhos de mãos dadas rezando e dizendo a ela as últimas palavras. Meu Deus foi tristíssimo. Os filhos chorando e a minha mãe morta, para nunca mais voltar. O meu esposo e o meu irmão, médicos, auscultando o seu coração. Ela inerte, cianótica e largada, acarinhada pelos seus filhos.
Nunca vou esquecer este momento de quase setembro. Ando vagando sem destino. Para mim,não tem setembro e nem verão. Tenho lágrimas de saudades doídas , muito doídas...

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

"Pisca, pisca me chamando."


O cair da tarde
Parece que é sempre mais nublado,
Quando o coração está triste...
Lembranças e grandes recordações,
Conversas intermináveis,
Que aguardam o reencontro.
Hoje foi tudo mais sentido
A gente tem dessas coisas,
Que nem sabem explicar por quê.
A noite chega,
A lua desponta,
Uma estrela no céu brilha.
Penso tanto e sonho demais.
Perdi a minha mãe
E o meu porto seguro.
Tamanha dor,
Justificada saudade...
Acho que a estrela que brilha,
"Pisca, pisca me chamando."
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