
E o mês de setembro chegou, como haveria de chegar. Com sonhos, com flores, com o sol aparecendo e reaparecendo, para alegria de muitos e trazendo as esperanças daqueles que tanto esperavam.
E o mês de setembro chegou sem algumas sombras, mas com a realidade doída de quem não queria que assim fosse. Setembro chegou sem a minha mãezinha, trazendo-me a triste condição de órfã, para quem já esperava, porém não aceitava acreditar.
E o mês de setembro chegou. Quem me vê agora, vê em meus olhos uma tristeza manifesta, olheiras aparentes, choros convulsos que vêm inesperadamente. Já estava, na certa, escrito que o dia 29 de agosto levaria a minha mãe, encantada numa manhã de quase setembro. Esta bruxa malvada levou na mesma data, de anos bastante diferentes, a minha mãe e a minha avó paterna. Logo no mês do meu aniversário.Deixou-as vivas todo o mês , para levá-las para longe, antes que setembro chegasse.
Lembranças de tempos idos, da segurança que nunca me faltou, das mãos de minha mãe apertando as minhas nos momentos mais difíceis.
O horror da morte e do morrer, eu assisti lentamente, ou não, os apitos do oxímetro mostrando pouco a pouco as batidas do seu coração indo embora, até deixarem de existir....
Terrível sensação do nunca visto. Os seis filhos de mãos dadas rezando e dizendo a ela as últimas palavras. Meu Deus foi tristíssimo. Os filhos chorando e a minha mãe morta, para nunca mais voltar. O meu esposo e o meu irmão, médicos, auscultando o seu coração. Ela inerte, cianótica e largada, acarinhada pelos seus filhos.
Nunca vou esquecer este momento de quase setembro. Ando vagando sem destino. Para mim,não tem setembro e nem verão. Tenho lágrimas de saudades doídas , muito doídas...
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