
Quando as luzes se apagaram em plena noite,daquele dia, doeu um bocado o inesperado. Enfrentei a saudade, a despedida, o adeus sem adeus e a vontade de voltar. Quando as luzes se acenderam dois meses depois, não existiram saudades, nem vontade de voltar a um passado que morreu sem eu menos esperar.
Agora, movida a um mundo novo que já tinha sido meu, tenho vontade de expressar o momento de paz, a ausência perdida e o amor pelos que substituíram os desafetos.
Ainda muito cedo em meu trabalho, vivenciando uma sexta -feira que sempre tem um gosto especial, estou fazendo planos e imaginando a vida sem controle de emoções, porque sem aquelas de meses atrás já me sinto tão bem e tão forte, que agradeço a Deus o adeus sem adeus. Talvez doesse mais, embora nunca possa deixar de lembrar a insensatez dos impensados. Raríssimas vezes o perdão vem desacompanhado da lembrança. Mas, não é que veio...
Confesso, leitores, que escrevo esse texto dividida entre dois sentimentos: o do fato consumado e a preocupação com um ente muito querido. Fugimos da realidade para nos proteger de muitas consequencias, mas não há como deixar de lado os sentimentos de dor. Pessoas do mesmo sangue mexem com a gente quando, em situação de apuros, o mundo para e há uma desolação difícil de ser esquecida. Cada minuto, cada segundo, lembro a dor do sofrimento que Deus e a minha fé conseguem superar a desesperança.
Aqui em meu trabalho, o silêncio é quase taciturno. As pessoas ausentes dão um ar de completa solidão. Fujo deste momento. Quando escrevo, me ausento do que passa ao meu redor. Tudo isso me deixa absorta apenas em meus pensamentos. Dou asas à imaginação e preservo este silêncio, como se pudesse afastá-lo do meu consciente.
Pelo sim e pelo não, entrego-me ao meu próprio silêncio. Melhor este do que a solidão silenciosa... E o dia vai se passando!!!!
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