
Estava hoje num daqueles dias em que não se sabe, exatamente, o que se passa. Sentia uma indolência e uma inquietação motora que denotava uma ansiedade. Penso que esse tipo de sensação deva acontecer com quase todos.
Nesse meu momento, já noite, parei no espelho principal da casa. Aquele que dá um brilho especial ao ambiente. Muito bonito!
Parei e me demorei , analisando todos os ângulos do meu rosto. Confesso, leitores, que esse tipo de comportamento não me faz bem. Notei-me diferente.Já existiam marcas do tempo e o meu semblante não era o de tempos atrás. Mas, o que queria eu?
Senti saudades do que se foi e pouco conformismo com o que estava presente. O regime alimentar a que tinha sido eu imposta me dava uma percepção de um rosto mais comprido. Na verdade, como poderia mais falar de narcisismo?
Tudo isto me fez lembrar Oscar Wilde, no seu livro O Retrato de Dorian Gray. Tão voltado á beleza estética, não conseguia asssistir ao seu declínio. Constituía um pavor se olhar no espelho revelador das verdades. A escultura, retratando-se quando jovem, passou, talvez, a ser o seu espelho preferido. Ali estava a sua jovialidade e beleza, tudo que lhe fazia se sentir bem.
E o meu espelho? Consegui refletir a necessidade de retoques. Uma maquiagem aqui e outra ali. A cirurgia plástica que devolvia alguns traços. Será?
Poxa, a gente se torna tão amiga dos leitores , que se desnuda a esse ponto. Nem sei como fazê-los ler o texto e esquecê-lo de imediato.
Pensei, naquele momento, que também podemos nos enganar. Faz mal ao coração parar num pensamento que atormenta.
Coloquei uma música. Imaginei-me feliz e jovem dentro de outras realidades tão piores quanto irreparáveis.
Não posso dormir perseverando nesta insatisfação. Tentei ficar mais agradável aos meus olhos. Vesti o que melhor me deixava jovem.
Hoje, notei algumas sombras nos meus olhos. Tirei-as com a ajuda dos artifícios da pintura.
Fui ao espelho novamente. Não sei se vi a verdade.Nem quero saber. Mas, estava outra.
Pensei na minha adolescência. Quem sabe não poderia ir dormir imaginando-a e revivendo-a? O espelho me ajudou a perceber o que queria ver como realidade.
Passei a me sentir melhor. Estou bem. O que quero mais, excetuando-se continuar com o meu espírito jovem , que tantos gostam?
Vamos, agora, sonhar com os anjos?
Prof.a Eliana,
ResponderExcluirVocê se superou. PARABÉNS.
Prof. Dantas
tem razao muitos gostammmmmmmmmm eu amo seu jeitinho! ELIANAAAAAAA DE ESCREVER E DE SER.
ResponderExcluirBEIJOS
JOANA
Querida Amiga!
ResponderExcluirSua crônica demonstra que você está retornando a sua fase narcisista e com seu alto-astral.
O espelho revela não a realidade atual, mas o momento que estamos vivenciando. Dia a dia seu retorno está sendo aprimorado e sua verbalização através desta crônica é a prova cabal. Você está se curtindo...continue a se curtir e breve estaremos trocando idéias e rindo ä toa.
Bjooooossssss mil
Rosário Lapenda
Mainha,
ResponderExcluirAmei o se texto. Difícil não gostar. Muito bem inspirado, deve ter servido de identificações para muitos.
Rosário, como psicóloga, explica bem o conteúdo.Parabéns, Dra.
Para vc, mãe, beijos mil,
sua filha , fã e seguidora
Lú