
E a tarde se vai, arrastando uma frieza. O tempo mudou, como haveria de mudar em pleno mês de julho. Estava cansada, mas as tentativas várias para dormir foram insuficientes e não surtiram efeito.
Encontro-me em meu quarto, deixando que os mil pensamentos do momento passeiem em minha mente, sem censura e sem pudor, no bom sentido da palavra.
Estou num estado diferente daquele de tanta inquietação. Costumo dizer que é um dia sim e outro não. Sou adepta desta concepção na teoria e na prática.
De tudo, hoje , já fiz um pouco. Começou com a labuta e vou terminando de vivenciar a tarde no encanto de minha jaula, preparada com esmero para delícia dos meus sentidos...
Não poderia ser diferente. Narcisista e dotada da mais alta sensualidade estética, faço questão de manter o meu ambiente lapidado de cetim e de rendas francesas. Ai se a minha mente deixasse que eu falasse tantos sentimentos e tantos desejos, guardados e resguardados. A maturidade não me tirou tanta garra e tantas e quantas motivações. Não precisei de terapeutas e nem de medicamentos para assim continuar , numa vida onde o meu amante é a própria vida, a minha razão de ser.
E a tarde se vai arrastando com o barulho das ondas do mar e um céu nublado que nos traz a sensação de frio e de aconchego.
Incrível como mais uma vez sozinha, não sinto a terrível sensação de solidão que, por vezes, tira a plenitude do bom e da felicidade...
Preparo-me para o meu banho. Este, debaixo de todos os tempos, é sempre o meu alento quando o dia se vai. A banheira de espumas, preparadas e coloridas, dão-me a mais pura sensação de que a vida é bela, não importam alguns momentos de desprazer. Afinal, momentos são momentos...
E a tarde se vai, e em surdina, e em completo silêncio, faço do meu mundo o meu encanto!!!!
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