
A casa muito bem arrumada está vazia. Ainda não me acostumei a viver sozinha, sem a presença de minha filha ou a expectativa de chegar quando vem do trabalho.
Em viagem pelo exterior já, nos falamos hoje duas vezes. Nada preenche uma saudade doída e sofrida. Era a juventude dando todo o esplendor de conversas que emanavam de uma mente jovem e muito inteligente.
Acabei de chegar da Rua , onde fui almoçar e fazer mil e uma coisas que me deixassem afastada do canto/recanto tão nosso e tão amado.
A tarde já se foi. A noite de um azul cor de anil vem trazendo a hora e o momento de tantas conversas jogadas fora, mas tão cativantes e que alimentavam a minha alma e o meu espírito.
Sobre a minha cama, já tenho livro novo para ler...difícil me concentrar e me distrair neste exato momento.
Estou fazendo alguns planos. É preciso até cantar e sonhar muito mais e muito bem concatenados. A cama forrada pela secretária num róseo delirante é um atrativo, mas não o suficiente que me faça esquecer a saudade.
Papai teve razão quando escreveu um artigo intitulado A casa vazia. É isso mesmo, meus leitores. Quando eu acordava, estava o seu quarto fechado e bem arrumado. Hoje escancarado com seus bichinhos de pelúcia e seus livros ainda aqui guardados, está diferente.
E o tempo passa. Bem que disse que as horas enganam o tempo....
Vou para a minha varanda. Lá, talvez, o céu e o mar me sirvam de lenitivo.
Perdoem, leitores, se tenho escrito o texto bem menor. Não consigo ser tão boa na escrita e a saudade trava a minha inspiração literária....
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