
Estava ontem pela manhã bastante inquieta. Fechei os meus olhos e deixei,na medida do possível, a minha mente ausente de todo e qualquer sentimento que me deixasse perturbada. Não seria possível imaginar uma volta aos meus vinte e tres anos, quando eu ainda tinha sonhos, paixões e insônias...
Estava me desconhecendo. Vi que tudo era possível. Até o retorno à juventude e a uma quase adolescência. O pior de tudo era dominar esses impulsos e sofrer calada a dor de uma quase possível desilusão. Acredito que sentimentos de solidão sejam capazes de produzirem um estopim dessa natureza.
Estava bastante inquieta. Fechei os meus olhos e rolei na cama. Rezei e pedi a Deus nem que fosse uma conformação. Algo que parasse os meus pensamentos e os meus danos mentais, provocados por quase nenhuma razão de ser. Havia algo errado e muito a dominar. Não tenho me sentido maravilhosamente bem. As dores de cabeça têm sido frequentes e os impulsos aflorados incompatíveis com o meu estado de ser. Saí neste momento. Impossível permanecer confinada no apartamento por mais aprazível que me seja. Com certeza, alguma crise existencial havia me pegado de surpresa e eu tinha que fugir para matar a saudade. Mas, saudade de que?
Algo indefinido me tomava por inteira. Sinto que escancaro a minha alma e me deixo ler como um livro aberto na página de minhas maiores sensações, daquelas impossíveis de serem imaginadas. Precisava fugir e desde este momento não paro. De festinhas à praia e às caminhadas. De almoços e jantares fora, ando eu percorrendo uma romaria que me deixe longe de todo e qualquer sentimento contrário ao meu estado de ser.
Busco lugares estranhos àqueles onde me bate a saudade e a inquietação motora e mental.
Volto agora aos meus aposentos. Procuro fazer mil ocupações. Eu só não quero voltar e retroagir no tempo, qual bailarina que rodopia no palco por longos e tantos anos. Valha-me Deus!!!!
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