
Quase madrugada. Perdi um pouco o sono. Há algo que toma conta de mim, sem que eu consiga superar. Lia um livro e me distraí a ponto de me perder nas linhas e nas entrelinhas. Não gosto muito do que não é diretivo. O meu intelecto a todo vapor é capaz de captar o que queria ler e o que não queria. Depois, ficam as dúvidas e as explicações que tratamos de achar para justificar o que foi dito nas entrelinhas.
Quase madrugada. A escuridão da noite me atrai e, por vezes, me causa repulsa. Tudo parece mais forte do que poderá ser. Já vivi noites de horrores. De insônias pensadas e de solidões povoadas.
Passei a minha vida dedicando-me aos livros. O estudo sempre foi o meu maior prazer e a minha maior obrigação. Enveredei por caminhos tortuosos que me levaram aos vales dos pequenos insucessos.
Mas, o sono foi embora. Tamanha dor e conflituosos pensamentos quase me atormentam, guardados a mil chaves sem o carinho de mãe mais ausente, como nunca fora.
Imagino que ando muito á deriva. Penso e me calo. Tenho segredos que me aparecem durante a noite como fantasmas assustadores. Quisera mudar o mundo e fazer da solidariedade o meu melhor prato.
Na maturidade, tive que achar amigas para substituírem um pouco o vazio que não dá para não ser.
Madrugada de outras madrugadas.Difícil ser assim em pleno início de uma quarta feira. Preocupo-me com o meu trabalho, tão acordada ainda, cultivando uma falta de energias para viver o amanhã.
A vida e suas nuances.O mundo girando e as pessoas, muitas vezes, alienadas. Grande e terrível sensação e percepção do futuro. Os sintomas e os prognósticos. Eu , numa encruzilhada de interrogações. Sozinha na escuridão e a incognita de uma equação que não é fácil.
Paro por aqui. Tenho medo e medos. Melhor será a ilusão ainda que venha a ser uma verdade. Rezemos todos.
Joana Oliveira Sou tua fã, só vc traduz os sentimentos com muita maestria. Bj te adoro
ResponderExcluirEliana,
ResponderExcluirTexto muito bom. Tenho com você a oportunidade de vivenciar sentimentos e situações já acontecidas comigo. Tivera eu a sua inteligência, escreveria tal qual você.
Beijos, Laura