A tarde se vai tão lentamente, como se não quisesse passar. Há um quê de nostalgia e um pouco de mistério em cada recanto, em cada vazio e em cada contagem do tempo, minuto a minuto, como se fosse cinco.
Lembro de minha mãe em tempos idos quando, por uma janela, aguardava a sua filha caçula que permanecia trabalhando até às dezenove horas. Eu aliviava a sua angústia, através do fio telefônico, contribuindo para que as horas intermináveis parecessem menores.
Hoje eu vivencio quase a mesma situação e sinto não poder mais conversar com ela, depois que a vida lhe impôs uma situação vegetativa , que não lhe permite mais nada, nem mesmo o balbuciar dos seus lábios...
Essas tardes prolongadas carregam um pouco de tudo. Se não uma insatisfação, uma indolência amarga e uma solidão sentida. Geralmente, nesses momentos, estamos sozinhos e este estado faz com que fiquemos
inertes ou inquietos. A dupla face da moeda. Ou uma coisa ou outra.
Ainda bem que, por ser psicóloga ou não, aprendi a viver da forma que me convém ou da maneira como o mundo a mim se apresenta. Mas,se não sofro a dor do desprezo, também não sou insensível de vez em quando: nas horas em que o desafio me é grande. Aí, leitores, não sou perfeita e nem tenho a pretensão de poder ser.
Fato é que invento mil coisas. Busco até mesmo uma inspiração tolhida, contanto que o desabafo seja mais forte do que poderia não ser.
Passo da melancolia a um estado de contentamento como quem quer tudo, menos o sofrimento que a solidão nos traz.
Mas, o danado, meus leitores, é que uma enxaqueca oftálmica vem me perseguindo o dia todo e todo este dia. O tratamento medicamentoso abranda e alivia. Sinto apenas que o estresse , que dá razão a esta dor, estranhamente não passa. Ainda queria que fosse novamente o Ano Novo, que deu a luz a 2011, com as minhas antigas comemorações e as minhas alegrias iguais.
De onde fui buscar essa lembrança? e por que tão doída? É que a dor deste Ano Novo passado vai e volta...
