
QUE EU ABOMINEI...
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Não estou triste, mas pensativa. Depois de um dia e uma noite exauridos, encontro-me na Universidade, que eu tanto amo.
Recordo com muita nitidez que ontem, quando já iniciada a exaustão, não tinha mais como suportar ver a minha face refletida num espelho, tal qual poderia significar a minha tristeza.
Mas, a vida não é como se quer e nem podemos mudar as coisas, como desejaríamos. Bom seria , se pudéssemos...
Exatamente ontem fui parar, por obrigação ou por prazer, num evento onde a sala era toda decorada, canto a canto, num espelho de grau, que me mostrou, sem esconderijo, as imperfeições da maturidade.
Impossível acreditar que a vida havia me preparado este momento que eu abominei, tal qual o grande escritor Oscar Wilde no século xix, tão narcisista e tão avançado para a sua época.
Não estou triste e, sim, muito pensativa. Melhor seria que eu pudesse esquecer que existiu uma juventude dourada, onde a beleza natural era,para mim, muita coisa. E até mais do que o leitor possa imaginar.
A maturidade me deu experiência e as aprendizagens foram muitas. Tudo isto não me foi suficiente para que eu abandonasse a minha sensualidade estética , inerente a minha pessoa.
O texto assim começado e já avançado, posto que não pretendo me estender, deu-me o que refletir, mesmo eu não querendo perseverar nesta tecla.
Pensei em tudo. Pensei em vocês leitores. Mas, era necessário um desabafo .
O espelho da sala do evento tinha a característica de aumentar tudo. Exaurida , de corpo e de alma, estava atônita e estarrecida. Impossível modificar a vida. Mais impossível , ainda, deixar de querer cultuar a beleza juvenil, pois cresci e amadureci , trazendo arraigada a minha pessoa esta característica, da qual não conseguia me livrar...
Terríveis as sensações experimentadas. Estava mais distante do que já fui. Com todos os enriquecimentos da minha fase atual, pretendia voltar no tempo, que jamais voltaria.
E este não poder voltar doeu em mim , como vocês leitores estariam longe de imaginar.
Voltando a minha Universidade, com trabalhos a fazer, vou tentar esquecer que a minha juventude existiu...
Hoje desnudo um sentimento com clareza. É assim que vocês chegam a conclusão de como sou eu, sem máscaras e sem camuflagens!
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