
Um pouco desnorteada, acordei-me e não fui capaz de parar os meus pensamentos que se misturavam num turbilhão de tantos momentos.
Na verdade, fiz o que queria . Não seria um ato impensado, jogar fora as cartas e fotos que não mais faziam parte de minha vida. Levantei-me e criei coragem. Não era de todo um trabalho leve, mas eu fiz por ficar. Nada li e nem rasguei. De montante em montante, joguei no lixeiro o que não mais tinha sentido. O tempo mostrou que não se deve ficar apegada aos restos do que ficou.
Sentia-me intrigada por guardar reminiscências que estavam cansadas de sobreviverem.
Num lampejo de retorno, o vento levou com força o que me deixara triste e magoada num certo dia.
Olhei para o lixeiro. Era assim que eu desejara. Se antes faltara coragem, hoje se tornou uma tarefa fácil, pelo quase nada que representava. Nem apenas curiosidade tive de as ler. Nem saudade me tomou a mente. Nem rasgá-las, tive vontade.
Estavam jogadas no lixo porque, na certa, não tinha mais onde guardá-las. Nem mesmo no meu coração. Eram os retalhos do que poderia ter ficado.
E a tarde se ia como toda tarde domingueira. O final de semana se acabava sem nada de ordinário e muito menos de extraordinário . Tal acontecimento se tornara lugar comum. Ainda assim, ao olhar para o lixeiro bem lapidado, fiquei perplexa, quase apoplética..
Só não me perguntem por quê!!!!!
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