
Velha mania esta minha de ter o apartamento sempre iluminado. Parece que vejo tudo mais bonito e resplandecente, sempre que a noite cai e eu não deixo a escuridão entrar em meu cantinho. Sinto-me fatigada, depois de um dia repleto de tantos afazeres. Já não basta acordar tão cedo, tive que emendar almoço com a obrigação das célebres encomendas quando tem festa a caminho. Cumpro assim o meu "desiderato."
Ando agora me policiando para não deixar acontecerem os antecipados pensamentos que acarretam problemas físicos e na alma. Augusto Cury nunca deixou de ter razão...
Mais uma vez sozinha nos meus aposentos, onde a jaula que me aprisiona é também o lugar dos meus sonhos e dos meus desejos.Dos devaneios e de muitas concretizações...
É isso aí, leitores, fui menina, adolescente e sou mulher. Experimentei a inocência da infância, a rebeldia da adolescência e sou a prova concreta das experiências que vivo e até revivo.
Estou na minha hora de sossego, tentando matar o tempo que ainda sobra para terminar o dia. Dirijo-me ao Jardim suspenso e colho uma orquídea, de minha predileção sempre. Aprendi a gostar dessa mimosa flor em anos de pós Faculdade, quando em passeios românticos, desfrutava dos prazeres do Canto da Barra, conhecido daqueles de minha geração não tão longínqua. O avanço da Medicina e a longevidade das vidas faz-me pensar que ainda tenho muito para viver. Antes achar assim do que de modo contrário...E a noite cai e o brilho das luzes fazem resplandecer as minhas orquídeas, essencialmente as lilases com as quais tirei tantas fotos e hoje brinco de recordar. Às vezes , relembrar nos mantêm mais
vivos e de quebra nos deixa mais alegres.
Mas, estou fatigada, não muito. Ainda há tempo para olhar o céu e as estrelas. Deslumbro a noite e me encanto com a lua, fazendo os meus pedidos que são tão diferentes daqueles inocentes de minha infância.
Cumpro um ritual que inclui o banho e a camisola. Isso é bom. Aqui no meu cantinho , com todas as fadigas, sinto-me bem para tirar da vida a beleza de ser mulher...
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