
Mas, o dia hoje se prolongou de tal forma, que parece até que está durando mais de vinte e quatro horas. Às vezes é assim. De outras, é tão curto, apesar de fazermos de um tudo para fazer parar o tempo.
Confesso, leitores, que não gosto muito de fazer balanço do que foi o ano que se vai e , muito menos, de criar expectativas em torno do ano que nasce. Além do mais, tem sido tão diferente a minha vida, os meus relacionamentos e as minhas atividades, que o inusitado e as surpresas advindas de cabeças meio esquisitas, já me deram a certeza de que os pensamentos sobre o futuro nada valem e de importância ficam as interrogações. Melhor assim do que de outro jeito.
A vida é o próprio ensinamento. 2013 se vai, deixando poucas saudades. Vivi momentos de muita satisfação e de perdas irreparáveis, cujas sequelas continuam até hoje. Como sempre, um dia sim, outro não.Parei de fazer especulações. Conformei-me com as adversidades, aprendi a ter paz na solidão e busquei, nas minhas longas conversas com a minha filha, assimilar o muito da sua experiência de jovem, superando a minha vida de maturidade. Incrível tudo isso...
Para mim, já não há vestido branco e nem festas programadas. A ausência de minha mãe foi fatídica diante de tantas e tantas mudanças. Às vezes, penso que de onde estiver e se puder, encontra-se de joelhos, pedindo a Nossa Senhora que a harmonia na terra se restabeleça. Por certo, sofre com o atual que nunca ensinou, que nunca pensou, que nunca foi cúmplice. Mamãe: descansa em paz. Aqui ficou tudo bem. Cada um no seu canto e diferentes comportamentos não imaginados, mas comportados.
Noite de estrelas e de lua quarto minguante. Eu , no quarto sozinha, deslumbrada com os meus lençóis de cetim tão brancos, onde eu me deito do jeito que me convém e me atrevo. O banho regado a não estresse e a camisola verde água me deixam bem. Sei tirar proveito da minha sensualidade estética e do meu narcisismo aguçado, que me faz admirar no espelho, ainda que as distorções sejam apenas criações. Ouço uma música suave. É hora de adormecer.
Nem sei se ainda escrevo neste ano. Ele, já deu muito de bem e de mal. Que os sinos toquem forte no passar deste ano, mesmo que as luzes, nem todas acesas, sejam tão diferentes daquelas de antigamente.
Acabou. E o que passou, ficou na lembrança...
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