
Quase não durmo esta noite, pensando em mamãe. Fui me deitar absorta em mil pensamentos. É como se tivesse deixado que muito de sua vida em nosso convívio passasse em minha mente. Momentos de muita alegria, a vida tão amada por ela. Os seus passeios e idas ao Shopping Tacaruna para almoçar e as festas de final de ano na casa de meu irmão. Quis que muitos dos nossos momentos se perpetuassem em mim. Fui dormir confusa e atordoada. O ano passado, dia 02 de novembro, com ela aqui em sua casinha. Não consegui pregar olhos.
Acho que as dores e as alegrias têm que ser vividas em seu tempo. De nada adiantaria fugir deste dia, se outros viriam, quase com certeza, e a dor seria maior, e mais sentida, e mais doída , e talvez mais arrependida...
Já era eu órfã de pai e agora de mãe. Só eu sei o que é viver sem o amor dela, sem o sentimento de proteção e sem o porto seguro nas horas mais certas e incertas de minha vida. Hoje , mãe, quase não durmo. Estava muito inquieta. É como se o Dia de Finados fosse um dia ao qual não podia esconder todo o meu sentimento. Nem sob os lençóis , este sofrimento seria sublimado.
Acordei, de um pouco que dormi, chorando. Papai dizia que o Dia dedicado aos mortos tinha que ser respeitado. Nada de vermelho e nem de passeios. Nunca entendi tamanha colocação. Agora sei que por ter ele perdido muitos dos seus entes queridos, a dor era bem maior do que eu alcançaria compreender.
Mãe: hoje vou fazer igual a você. Tomar meu banho, vestir a roupa bem limpinha e rezar o terço. Só não quero lembrar do lugar onde lhe deixei pela última vez. Aquele pedaço de terra não poderia ser o seu...
Às vezes, fico pensando: por que Dia dos mortos se eles já ganharam a eternidade?....
Rosana Marques Lindo sua crônica , você esta cada dia mais sensível...parabéns!
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