É UM ESPAÇO PARA EXPRESSÃO DE MINHAS INSPIRAÇÕES, EM FORMA DE TEXTOS/CRÔNICAS E, ATÉ, DE POESIAS. TRATA-SE DO MEU SEGUNDO BLOG E PRETENDO QUE SEJA ELE MAIS RESERVADO. O LEITOR HAVERÁ DE NOTAR MUDANÇAS, SENDO ELE QUEM IRÁ AVALIAR AS PALAVRAS QUE CHEGARAM PARA FICAR E OUTRAS PARA QUE O VENTO LEVE. IREI POSTAR PENSAMENTOS E DESTAQUES DO ESCRITOR NILO PEREIRA, COMO ADMIRADORA E FILHA QUE MUITO APRENDEU COM ELE E SEMPRE SEGUIRÁ AS SUAS IDÉIAS.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Tudo é mistério!!!!!
Belas recordações se misturam a uma saudade nada contida, que me deixam inquieta por todo o dia.... E lá se vão vinte e um anos que me tornei orfã de pai, numa idade ainda em que precisava de suas palavras, do seu alento, dos seus ensinamentos e da sua presença constante em minha vida.
O tempo é inexorável. Não perdoa a ninguém na hora da finitude da vida. E a certeza da morte, tão certeza e tão verdade, foge de nossas mentes como se nunca fosse ou pudesse acontecer a nós e aos nossos entes queridos.
Há uma inquietação que não me deixa hoje o dia todo. Vinte e um anos não foram suficientes para que eu deixasse ou permitisse que essa saudade sofrida se afastasse de mim.
Lembro tudo que me foi bom. Lembro de meu nome como me chamava ele: Lianha. Lembro da formação religiosa, da dignidade, das sábias lições de Francês, que ele falava fluentemente, e de todas as dúvidas que ele nunca deixou de tirar. Posso dizer de cátedra da inteligência do meu pai, das suas histórias mais do que histórias peculiares a sua vivência e a sua experi~encia de homem público.
Vinte e tres de janeiro, vinte e um anos atrás, quem diria fosse este dia tão fatídico.
Morreu como um passarinho, interrompendo a leitura que fazia de Josué Montello. Às vezes penso, se chegou diante de Deus com essa bagagem intelectual que acabara de deixar inacabada.
Pai: você sempre disse que tinha medo de morrer porque todos iam e não voltavam para dizer como era lá.... e você, meu pai, onde ficou encantado?
Passei anos cruciais, visitando o seu quarto de estudo, a sua jaula, de onde saíram todas as suas obras literárias. Após o seu encantamento no infinito, lá encontrava tudo no seu devido lugar, mas a sua ausência foi por muito tempo o inacreditável que eu nunca aceitei....Que Deus saiba me compreender.
Hoje rezo o Terço, vindo do Vaticano, por você, pai, e peço a Deus que lhe proteja, pois para mim tudo é mistério!!!!
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Mainha,
ResponderExcluirA sua crônica está muito linda. Tocou-me sensivelmente pela saudade que sinto de vovô, pela lembrança viva do seu/meu amor por mim e eu por ele..
Apesar de ter convivido com vovô em tenra idade, ficaram as recordações que nunca haverei de esquecer.
Como ficava em sua casa em época de férias, conversei muito com ele e cantei as suas músicas, amenizando, possivelmente a sua dor.
Beijos,
Lú
Lú,
ResponderExcluirVerdade. Você teve um convívio muito forte com o seu avô, inclusive nos últimos dias de vida de papai. Com ele passou muitas horas.
Lembro de vocês dois no quarto conversando e ele ensinando as suas cantigas antigas e que vc acompanhava com todo amor.
É provável mesmo que sua presença infantil tenha amenizado o seu sofrimento. Com certeza...
Beijos, mainha