
Não há como esconder ou dissimular os sentimentos que, vividos e revividos, ainda não foram , de todo, esquecidos, posto que foi forte demais.
Nem há como esquecer do mês de novembro.
Recordando o tempo faltariam dez dias para eu vivenciar o que nunca fui capaz de imaginar. E aí estão , somados e diminuídos, a certeza, que hoje eu sei, de que faltariam dez dias para o inusitado, tão cruel e tão marcante.
A noite é um mistério. Há um quê de mistério e um misto de alegria e dor. Tanto pode ser alvissareira como traidora, tão traídora como foi no dia vinte de novembro de um ano que se foi, ou que se vai...
Se é que sei muito sobre os meus leitores, desconheço a agonia de algum deles, uma dor tão doída que seria impossível saber avaliá-la, graças a Deus.
Desculpem, amados leitores. Falei na crônica anterior da versatilidade de um escritor. Hoje, revivo, com tanta nitidez, a noite que eu julguei tão boa e que, nada mais, nada menos, estava deitando para acordar tão ruim e tão arruinada.
Deus, meu Deus. Precisava, talvez, de um momento desse para pensar e refletir no que vem depois. Nesta madrugada tive medo, muito medo. Mil fantasmas povoaram a minha mente. E para onde eu iria, como seria a "vida" após a morte?
Vivia alheia a essa realidade que, mais cedo ou mais tarde, nos chama, sem possibilidade para fugirmos dela.
Rezei chorando, pedi a Nossa Senhora soluçando, pensei na minha Princesa sem mim e nem sei mais o que roguei com fé, mas fraquejando diante de tanta dor...
E lá se foram dias alterados na minha rotina, a possibilidade de ocorrências adversas. E lá se foram os dias, os meses e quase um ano.
Tantos dias de afagos temporários. Julguei-me boa e tive a certeza de uma união perene.
Não, não foi necessário tamanho sofrimento para eu ser acariciada. Deus continua no meu caminho. Que quero mais da vida, norteada por tantos agradecimentos meus?
Leiam, reflitam e comentem, se julgarem oportuno...
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