
Na tentativa de conciliar o sono, ocuparam a minha mente as hortênsias lilases. Aquelas que em noite de lua cheia deixei que me valessem uma bela apreciação. Na verdade, a saudade era grande pois foi, talvez, uma das últimas presenças marcantes de alguém em minha vida.
Não sei o porquê desta lembrança agora, quando a minha cama sobre a qual estava eu deitada, ornamentava o recinto de belas rosas vermelhas. Não me demorei em tentar decifrar este momento, mas o fato é que me tirou o sono que eu julgava quase motivo para um descanso.

Óh, hortênsias lilases, ficaste como representante concreta de um momento julgado alegre e transformado numa tristeza agora desaparecida, mas transformada na dor da saudade...
Li ontem que os sentimentos são melhor pensados quando estamos num Hospital, enfartado, quase morto. Impossível discordar de Augusto Cury, porém respondam ,meus leitores, será sempre assim? E a saudade das hortênsias lilases que me perturbavam tanto e me atormentavam, tirando-me o sono no meu próprio canto/ recanto?
Áh , vida...se pudesse escancarar o que sinto neste momento, sem amarras e sem temores... E as hortênsias lilases me perseguiam como se tivessem ocupando a minha mente por inteira.
Saio da minha jaula, onde escrevo e durmo, dou uma volta em toda a casa. E lá estão as hortênsias artificiais que eu não mais via de forma abstrata.
Sábado de tantos e tantos sábados. Nem sei quantos ainda virão....Mas,como dominar a saudade se eu nem conseguia dormir?