
E a vida continua, como haveria de continuar. O tempo vai tecendo os seus caminhos e as suas voltas e reviravoltas, até fazerem os caminhos inversos.
Sento-me no meu canto, recanto de tantos prazeres, quando eu sempre escrevi, ao sabor dos ventos e das tempestades. Há um quê de mistério no ar. Não sei exatamente o que se passa comigo, mas algo diferente faz-me mudar de rota ou trava o meu pensamento, antes tão solto e tao sorrateiro.
Encontro-me em meus aposentos preparados com o esmero de sempre. Aparentemente nada mudou. Os caprichos do recinto enganariam a qualquer um. Aqui nada seria diferente se a minha mente acompanhasse o compasso dessa jaula que, por incrível que pareça, serve de amparo aos meus sentimentos que ainda estão abalados e sofridos.
Do meu janelão, acompanho o tempo e dá-me a impressão de que o sol demorou a desaparecer. Nem sempre é assim. O esplendor de uma luz intensa que emana do astro me dão a impressão de que o espetáculo, que faz todo dia, está mais intenso do que sempre. Impressões são só impressões e nada mais..
Tenho olhado, vez ou outra, o blog de meu irmão Geraldo que ele tanto amava e curtia. Penso que postando um texto no meu cantinho dou continuação, de forma amadora, ao seu blog que, por certo, se transformará num livro, acadêmico e pitoresco. Na certa, o indivíduo morre , mas o seu legado continua e nunca haveremos de esquecer o muito que foi inerente ao seu saber.
Mas, apesar de demorada tarde, a noite se aproxima e mais uma vez eu travo o meu pensamento. Por hoje basta. De onde estiver Geraldo, será que ouvirá que falo nele com tanta saudade? E aí eu me perco no mistério da morte...





