Inquieta-me o barulho deste silêncio em meus aposentos. Há uma solidão verdadeira e outra em minha mente. A certeza da ausência de meu irmão Geraldo, morto e encantado, deixa-me perturbada.
Pensamentos mil passam em mim e eu não encontro respostas para milhares de perguntas, que vêm se acumulando ao longo do tempo. Eu sou eu, não por inteira...
Sinto-me fatigada e há um conflito persistente que gera em mim algo instigante.
Passeio por toda a casa. Não sei como será o futuro. A vida me deixa intrigada , sem que eu possa decifrar o mistério da morte, que, por vezes, me atormenta e dilacera o meu coração.
Acostumei-me a aceitar tudo que me é imposto, depois de muitas sofreguidões e intempéries. A essa altura, sinto-me cansada para decifrar o que me faz sofrer , quando o mundo, diversas vezes, me dá as costas.
Triste fatalidade, se é que cabe à mim, discordar das determinações do meu Deus, meu Pai Celestial.
Inquieta-me o barulho deste silêncio que se espalha por toda a casa. Existiam em minha mente caminhos traçados, que de caminhos planejados nada aconteceram. A falta do meu irmão dói na minha alma. Era o meu alento sempre. Sinto-me mais isolada. Pergunto ao meu eu o que virá depois de tudo que me deixou no vazio.
A tarde hoje se estendeu mais do que muitas outras. Agora sou eu tomada por uma angústia inimaginável. Já tentei decifrar a morte. Impossível, até que chegue a minha vez e a bruxa malvada me leve sem nenhuma permissão.
O vento sopra numa velocidade galopante. Estou sozinha e triste. Indago à vida os porquês das minhas dúvidas e , por mais que tente, não existe resposta. Sem querer que assim fosse, aceito outra vez as imposições.C
. Procuro disfarçar a dor. O silêncio me faz mal e o barulho que provoca, me deixa só mais uma vez. Caio no abismo do inexplicável.





