Quase mês de agosto. Ventanias fortes anunciam que ele está chegando. Mês do meu nascimento e , inimaginávelmente, mês da morte de minha mãe querida. Quem diria houvesse essa coincidência... Ela que tanto preparava as festinhas minha e de minha irmã Fátima. Nós as duas últimas da prole, sendo eu a quinta e ela a verdadeira caçula.
E cedo chego aqui na Universidade, cumprindo a minha missão responsável de trabalhar com a mente e com o coração. Encontro-me sozinha. Tudo é silêncio e solidão. Tudo é magia e sentimentos...
Há um quê de perfume pairando no ar. A sala preparada com esmero, atrai-me os olhos e , porque não dizer, todos os sentidos.
A noite foi dividida. Dormi cedo e acordei às tres da madrugada para dar o ar da minha graça. Consultei o face, postei uma meia dúzia de mensagens, voltei para a cama. Era hora de adormecer novamente, até que amanhecesse e começasse tudo de novo. E que sempre seja assim...
Hoje , fui mais além. Acordei pensando que o meu poemeto de ontem não havia agradado a gregos, nem a troianos e nem a mim mesma. Excluí-lo. Antes dessa maneira do que o tormento do conflito.
Ventanias pairam no ar. Quase mês de agosto, quase aniversário, quase o dia que completa um ano do fatídico encantamento de minha mãezinha. Não posso esquecer. Foi terrivelmente doloroso. Agora órfã de mãe e de pai, irremediavelmente órfã...
O céu está nublado. Com certeza, não importará a cor do céu. É preciso pintá-lo da cor que nos é possível, fazendo do dia o nosso dia. E cá estou, sem sombras do passado, vivenciando um mundo acadêmico, onde sempre quis estar.
E as horas vão se passando , e os pensamentos não param, e os sentimentos ocupam todo o meu ser. Sinto tudo e passo a imaginar que o silêncio também fala. Às vezes mais do que o tilintar de tantas vozes.
Acho que é hora de parar por aqui. Os ventos já levaram as palavras mudas e os silêncios que falam!!!