
E a tarde se vai devagarinho, como se eu não tivesse mais forças para esperar a noite chegar. Fiz desse novo quarto a minha jaula, diferente dos meus aposentos. Mais requinte e mais luxo, sem as intimidades, no entanto, do meu quartinho tão preparado a minha maneira e ao meu estilo.
Acordei de um sobressalto inesperado, o que não seria de esperar, mal eu tinha adormecido. As drogas ingeridas deram efeito rebote. Em vez de calma, fiquei inquieta. E a noite demora a chegar.
Há um frio maior que não me incomoda. Muito pelo contrário , me faz bem. Com todas as agitações e as expectativas, leio o Livro que me presenteou a minha linda filha: O fio da navalha ,de William Somerset Maughan. Confesso que ando um pouco desconcentrada, mas a linguagem coloquial da obra, me deixa estarrecida. Atualmente , ando ouvindo e lendo palavras que não condizem com o fino trato que se fez notório em toda a Educação que recebi dos meus pais. Assim rara, amei o estilo do livro, tão comentado por grande amigo meu, de cultura bastante significativa.
Não sei se estou alegre ou se muitas expectativas me tiram o sono. E o tempo dos resultados, chegados envelopados , por sedex, me deixam amedrontada.
Mas, a noite haverá de chegar, como sempre vem, estrelada ou não. Está marcado um teatro e peças difíceis de serem vistas no meu lugar, me colocam ávida para vê-las. Estou aproveitando , enquanto posso. Sou como O grande poeta, escritor, Rubem Alves, enterrado ontem. " Já tive medo da morte." Hoje vivo a vida, na certeza de que morrerei , quando o dia chegar.
E os pensamentos passeiam em minha mente. Vêm puros ou misturados. Tão atravessados que me provocam alguma arritmia. A pressão aumentou um pouco, mas já foi debelada por gente que, de médico, já recebeu todas as glórias e méritos.
Sinto que hoje não sou bastante clara, mas também não falo por metáforas. Aliás, quando uso o imaginário, que não é o caso, diferencio da ficção, que não me agrada e não faço uso. Sou mais realista do que voos inusitados.
Aqui, já existem sombras da noite. Troco a inquietação por um belo vestuário. Havia preparado para surpreender. A alguém, é possível que agrade. E o resto é viver em outras águas. Palavras proferidas e assimiladas...Valha-me Deus!!!