Mudei. Precisava mudar. A gente vai se adequando à realidade dos tempos e às mudanças das criaturas. Já sofri por motivos justificados ou não. Já me tranquei no meu quarto para chorar tudo ou quase tudo que me fizeram doer...
Mudei. Não foi fácil. Foi até estupidamente sofrível. Mudei porque as experiências me transformaram e me deram motivos e forças, estranhas e naturais, extremamente seguras,para
enfrentar eu mudada, eu sem lamúrias, sem sofrimentos desnecessários. Sem razão alguma de aparecer e sem querer mostrar algo que não se passava comigo. Hoje eu caminho altiva e quem me conhece, sabe quem sou eu. Conhece o meu passado, a minha integridade e o meu potencial. Não preciso viver agradando a gregos e a troianos. Quero também ser estimada.
Hoje eu penso tão diferente , que para se conviver comigo, é preciso entender primeiro que eu mudei e muito. Virei a página do meu livro que eu havia construído e escrito, pensando ser o melhor para mim. O tempo me mostrou que permanecer estática diante do espetáculo da vida, seria uma inércia fabricada e dolorosa.
É evidente que a maturidade me deu muitos ganhos. A grande escritora Lya Luft que o diga quando fala de suas perdas e ganhos.
Hoje eu falo o que penso, sem ferir. Hoje eu silencio o que quero e dou de mim só o que acho que posso e devo dar. Não existem mais aqueles medos do outro e de enfrentar a vida como eu nunca gostaria que fosse.
Mudei e mudei muito, meus leitores. Era necessário para mim e para vocês. Hoje eu escancaro o que quero e o que a minha censura não deixava antes. Hoje eu digo a mulher que sou com os meus desejos por mais descabidos que pareçam ser. Acabei com amarras e me deixei desnudar o que é consciente e o que eu guardei sob sete chaves. Somando e subtraindo, repito o que mais ou menos disse Mário de Andrade
em uma de suas poesias: Sou mais passado do que Futuro. E que se danem os apegados à moralidade em desuso...






