
Havia ontem uma vontade muito grande em fazer algo que viesse fugindo do habitual dos meus últimos dias. Completava um mês da morte de minha mãe e eu já havia chorado mais do que o meu coração permitia. Mais do que as minhas lágrimas suportavam cair em meu rosto.
Foi um dia atípico. Saí pela praia de Boa Viagem, caminhando sem destino, ao mesmo tempo que lembrava dela e rezava muito. Impossível fugir de pensamentos quando estes alçam voo e permanecem em nós, como se possível fosse sairem de nossos pensamentos. Contradições que se tornam avessas ao real sentido dos mesmos.
Deixei me iludir com o lúdico da minha infância e comecei a apanhar mariscos, repetindo tudo que fazia na minha infância. Era uma forma e uma maneira de fugir da realidade, fato este por quem o meu coração chorava e se mantinha apertado, dando receios de possíveis consequencias. Medo de cair no ostracismo da tristeza que uma vez já me levou quase à morte.
Com todos esses detalhes insistentes e persistentes, consegui fazer do mar e das areias de praia, o momento propício para não cair num estresse grande, que muitos duvidam, sem se darem conta de que em pensamentos dos outros, não existe quem consiga decifrar. E daí começam as discussões sem fundamento, sem justiça e muito mais.
A criatura humana é, talvez, muito complexa e até inconsequente. Que continue do jeito que lhe convier. Já me afastei de certas minúcias e de certas faltas de querer bem.
Esse texto terminou sendo uma miscelânea de assuntos, por mais que a Literatura assim não recomende. Faz de conta que gosto sempre de mudar de alhos para bugalhos, com toda a minha liberdade de escrever, sem atingir nenhum dos meus convívios ou não...
Escrevo de forma tumultuada em meu trabalho, visando sair da mesmice de muitas mesmices. Das responsabilidades que são muitas. Havia uma inspiração ainda atormentada e quando assim estamos, é preciso tomar uma solução. Ou então, nos conformemos com a realidade sem ilusões...





