
Sozinha em meu quarto, alheia aos acordes da vida, sinto-me diferente e domino com relativa dificuldade o sentimento que se instala em mim, indefinível e silencioso.
Também pudera, o estar só já é um estado de espírito que , se não entristece, pelo menos dá vez ao imaginário de nossas mentes.
Sozinha em meu quarto, tento me deleitar com o aconchego do canto/recanto, ornamentado de flores e de lençóis azuis acetinados. Pelo menos, a solidão não consegue fazer com que os meus olhos não sintam a beleza deste esplendoroso quarto, preparado com as mãos do perfeccionismo e da sensualidade.
Estou só fisicamente. O meu esposo e a minha filha se encontram ausentes na labuta de seus dias.
Penso em tudo e em quase nada. Preencho as lacunas com temas sérios e outros um tanto fúteis. Ouço Maria Betânia e me deixo transportar pelas letras de seu repertório.Ai de mim se não tivesse tantos aparelhos que dão ao meu quarto, quase"jaula", um toque de magia e de fuga...
A vida e suas nuances. Um dia sim e outro não. A união desfeita e os mecanismos de defesa atuando de forma inevitável.
Sinto saudades e perdoo o tempo que chegou quase devagarinho, arrebatando laços que, talvez, nunca se tornaram nós. Por isso desataram na continuidade do nunca foi.
A Filosofia toma o lugar de minhas palavras e permaneço calma e inquieta, ao mesmo tempo. Sentimentos contrastam e se amarram. Difícil entender o que sinto. Vida, vida minha.
Fui me tornar escritora, ou não, em tempo muito diferente da existência de meu pai, herdando a sua intelectualidade em grau mínimo, mas fazendo jus a esta Genética.
A noite cai e a lua aparece iluminada. Ainda estou só, no meu canto/recanto, fazendo de mim uma mulher mais destemida. E que venham os sonhos e a certeza de que estou mudada...Difícil, mas não impossível, meus amados leitores





