Especial!!

Especial!!
Linda!!!!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DESTAQUE!!!!



A CERTEZA DE NÓS DOIS

Nilo Pereira

A Lila, no dia do seu Aniversário.


Como é doce viver à sombra dos seus olhos

Nessas horas felizes,

Nesses momentos em que a nossa vida

É uma só vida,

Nesses momentos em que sentimos

A integração do nosso amor.

Então os nossos seres são um único ser

E os nossos olhos se confundem

E as nossas almas se abraçam

Na plenitude misteriosa do amor.

Não somos mais dois, somos um só,

Como se um só fosse o coração,

Tão largo como o tempo,

Tão infinito quanto o eterno.

O amor realiza a unidade.

Desaparece o tempo, foge o espaço,

O céu e a terra vivem de um único abraço,

Todas as estrelas brilham,

As águas se iluminam,

As florestas se enchem de mistérios,

As vozes da noite são suaves e puras,

Os anjos cantam, trazidos por uma brisa macia,

Como se todo o universo fosse a nossa unidade,

A totalidade do nosso amor.

Morreram todas as dores,

O mundo está calado e deserto,

Como se tudo fosse vago e incerto

Para só haver a certeza de nós dois.

E então as nossas almas fogem

Cheias de poesia,

E se embalam nas nuvens

E beijam as estrelas

E cantam com os anjos,

Refrescam-se nas águas puras,

Ganham depois os espaços infinitos

Esquecidas do tempo.

Sussurram com as florestas,

Aprendem o canto os pássaros adormecidos,

E a noite se enche de um luar de poesia,

É quando as coisas perdem a cor,

A forma e tudo.

Um novo mundo começa

Como se um novo Jeová

Tirasse luzes imprevistas

De outras Nebulosas.

E as nossas almas unidas.

De mãos dadas,

Diáfanas e encantadas,

Voam, cantam e dançam,

No milagre perene da unidade,

Na mocidade esplêndida do Amor.

1941


** Poema escrito por meu pai (Nilo Pereira ) à minha mãe Lila, quando ainda noivos, em 1941. O poema está no seu livro NOTÍCIAS DO INVISÍVEL. Faz parte do arquivo do meu irmão Roberto Pereira, amado filho, pela sua dedicação e amor sem dimensão...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Tão nossas....


Volto ao meu quarto como se fosse eu ainda a mesma. Tento , mas não consigo deixar de ter medo. Penso que ontem encerrou-se mais um capítulo da minha vida. A Missa de sétimo dia de minha mãe me deixou fora de mim. Dá-me a impressão que nada será e nem poderá ser como antigamente.
Ela se foi, como disse o Padre Caetano. Essa certeza dita e pronunciada com viva voz deixa a família amargurada. A realidade é esta, mas a ilusão vinda de um consciente adormecido deixava em mim a negação do fato.
Volto ao meu quarto preparado como sempre, com lençóis de uma alvura inebriante, com bordado inglês e com todos os artifícios para me deixarem bem. Olho os cantos e os recantos, deito na cama e permito-me pensar com todos os sentidos. Antes, as agruras, os medos e as inseguranças tinham em mim a certeza de que seriam resolvidas. Telefonava, matava as saudades e combinávamos, eu e mamãe, como resolvermos as minhas angústias. Ela sabia de tudo da minha vida. Contava o meu dia, falava do trabalho, pedia conselhos e ouvia as suas palavras. Ao ouvir a minha voz, dizia: Alguma novidade? Novidade só quando é boa.
De forma inquieta, ando a casa toda. Perambulo diferentemente e volto ao quarto. Abro o janelão e olho o céu. Uma estrela luminosa parece representar a minha mãe. Estou só e, neste momento, fantasmas alucinados me fazem ver o quase infinito imaginado, idealizado, criado pela minha imaginação.
Vida, vida minha, aprendo a cada dia, mudo a cada minuto, choro de emoção e declaro guerra aos acontecimentos que ainda não foram bem codificados.
Tenho medo. Quem me conhece, sabe bem o por quê. A noite passada foi entremeada de insônias. Há uma esperança em mim de que a sua morte se transformará numa grande saudade, com ótimas lembranças .
Leitores, desculpem se o tema já se torna repetido. Acharei um meio de guardá-lo só para mim. Se a vida já me ensinou tanta coisa, um dia vou encontrar em meu quarto o alento para as angústias difusas, já que não me conformo de não ter terminado com mama as nossas conversas tão nossas.
Fica em paz, maminha. Que Deus tenha lhe recebido de braços abertos. Seja muito feliz junto ao Pai!!!

terça-feira, 10 de setembro de 2013

É sempre a maior....


Movida por emoções, sou capaz de me modificar quase toda. Impossível conseguir, em sua totalidade, que as emoções não mexam com o nosso físico, psíquico e social.
A vida e suas nuances. Os sentimentos nem sempre iguais. O tempo acarretando benefícios ou não. As pessoas e o mundo dando os seus giros. A gente, um dia sim e outro não.
Movida por emoções já tomei decisões precipitadas, já chorei por impulso, já tive arrependimentos, já cometi atitudes adversas e disse palavras que não seriam do meu vocabulário.
A maturidade me fez lapidar os meus poucos erros e me ensinou a usar mecanismos de defesa que passaram a controlar as minhas emoções, na medida do possível e, às vezes, do impossível.
Evidentemente, que existem aquelas emoções de tão grandes proporções que nos deixam perdidas no comando das próprias.
Hoje, vivencio mais um dia de luto. A morte de minha mãe me fez ficar inquieta e se alojou em mim uma angústia difusa que me deixa entristecida. E a emoção, mais uma vez, toma o maior lugar em meu ser e eu choro baixinho e convulsamente porque a dor foi forte demais.Não tem maturidade que sufoque a perda da figura materna, a impotência diante da orfandade ou a certeza de que partiu para nunca mais voltar.
Encontro-me na Universidade. Estou só e reflexiva. Dilacerante é a dor em meu peito. A insuportável sensação do vazio. O sofrimento e a lacuna tão grandes quanto dolorosas.
Movida por emoções já quase me tornei outra. O pior ou o melhor é que falta, por vezes, um entendimento do outro. E aí cabe a nós o consolo sozinha, abandonada, mas com fé.
Movida por emoções, vou vivendo e vou caminhando, fazendo do pior o melhor e do mal o bem.
Sinto, neste momento, que é hora de parar um pouco. A inspiração vai indo embora porque a emoção é sempre a maior...

domingo, 8 de setembro de 2013

E nem conto de Fadas...


"Eu pensava já ter visto tudo....mas....". Esta frase é de autoria da grande escritora Lya Luft e cada vez eu me toco mais com as nossas afinidades e a nossa forma de pensar bem parecida. A vida parece ser vista por nós duas sob um ângulo que se assemelha e se completa.
E daí , partindo de acontecimentos reais, nunca imaginados, neste momento, me surpreendo e vejo que o inusitado não é criação e nem conto de fadas.
Vivo um momento de luto por morte de minha mãe. Que os meus colegas deixem-me falar e desabafar. Acudam-me porque é meu esse instante. Não comparem. Cada um com cada qual. É UM MOMENTO ÚNICO, ÍMPAR NA MINHA FORMA DE VIVENCIAR.
Perdi o meu pai há vinte anos atrás.Não comparo e nem comparei em momento algum. O tempo foi outro, a dor foi cruel, mas hoje é diferente. Não em dimensão. É que eu mudei, a vida me deu ganhos e perdas, a afetividade não parece ser desigual, porém já tenho novos valores que não estavam arraigados naquela hora, numa idade diferente, num Rio cuja correnteza deu voltas.
Sinto-me fatigada física e mentalmente. Sentimentos que eu guardo na minha caixinha de segredos, tenho remoído. Para bem da verdade, estou irritadiça perante a morte e o morrer. Minha mãe me deixou uma lacuna incalculável. Quando o meu pai se encantou, ficou a minha mãe. Hoje não tem mais ela e nem tampouco ele. Há aí já um diferencial que, julgado, pensado e repensado não é a mesma coisa.
Permitam-me que eu desabafe uma , duas, seis vezes. Há uma escuridão em meus olhos. Desculpem-me se quero colo, mesmo de maneira forjada. A maturidade me deu muito e muita coisa, mas não me ensinou a ficar ÓRFÃ DE PAI E DE MÃE.
Meu pai era a figura que me acudia nos momentos quase sempre incertos. A minha mãe, um porto seguro, a certeza das maiores incertezas. A mulher das prendas do lar e a doação completa a nós todos, os seus rebentos tão seus.
O meu pai, o meu orgulho, querendo ou não, pela figura de Homem Público. Agora, nem pai e nem mãe...e então...
Vou me conformando aos poucos. Deem-me um tempo, deixem-me contar e recontar a sua morte. Tudo passa e fica a saudade.
Afinal, afinal "O Tempo é um Rio que corre." Este é o próximo livro da escritora Lya Luft. Aguardemos.....

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Saudades, Mamãe!!!!!!


Este talvez seja o texto mais difícil para eu escrever. A dor é grande e a saudade é sem dimensão. Você se foi, mamãe, sem que nunca quisesse eu aceitar a sua partida para não mais voltar.
Deixo que as minhas lágrimas molhem o meu rosto, revivendo toda a nossa cumplicidade, detalhada e intimamente reservada . Com certeza, as nossas conversas, tão nossas, haverão de ser terminadas um dia, quando nos reencontrarmos.
Paira em mim um mundo de recordações que me deixam absorta e contribuem para que haja uma dificuldade grande até em começar a escrever.
Difícil entender tanto amor devotado por minha mãe aos seus seis filhos. Com ela aprendi a ser boa, a ter solidariedade, a ter pureza, a não alimentar rancores e , principalmente, a perdoar.
Mãe extremamente dedicada, cuidou de cada um dos filhos, dando no momento oportuno o seu maior amor e a sua maior doação. Nunca me faltou nos meus momentos de alegria e na certeza minha de que encontraria nela o meu porto seguro. E sempre encontrei...
Inúmeras e inúmeras vezes foi a UPE, no meu ambiente de trabalho, para me confortar da forma como ela julgava fosse necessário. Foi uma mãe plural e única , de acordo com a hora propícia de cada um dos seus rebentos.
Era a pessoa que eu mais admirava. Linda pela própria natureza, ostentava uma simplicidade que lhe fazia sinônimo da sua falta de orgulho.
Da infância a idade adulta e à maturidade, tratou-me com muita ternura, não medindo consequências para me ver bem.
Falar de saudades neste momento é quase uma redundância do que já mostra a minha face entristecida, onde as lágrimas fizeram morada, desde o dia de ontem.
A minha infância de tanta segurança em minha mãe, a minha adolescência ajudada por ela nos mínimos detalhes, a fase adulta, o nascimento de minha filha e a maturidade, não poderiam ter sido tão boas sem o exemplo de minha santa mãezinha.
Mãe: não me preparei para viver sem você. O velho sobrado, arquivo vivo de nossas peraltices, de nossos namoros, de nossas alegrias, da tristeza com amores rompidos, tinha em você a figura principal e conselheira. Se nele fomos felizes, devemos , em grande parte, ao seu alento.
Como então me separar de você, minha mãe? Acho que ainda não cheguei à resposta desta pergunta: por que as mães morrem?

Repito este texto, estimulada pelos mais de oitenta e-mails recebidos de leitores, enaltecendo as minhas inspiração e emoção.Além de um grande número de elogios presenciais.
Texto feito por mim um dia após a morte de minha mãe. (Sexte feira, 30/08/2013.)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Rolo na cama...


Tento abrir o meu coração em pedacinhos,
Como se possível fosse.
Sozinha em meu quarto,
Rolo na cama
E sonho sonhos perdidos....
Tento abrir o meu coração em pedacinhos,
Sinto tudo que imagino,
Dias passados e outros futuros...
Penso e repenso,
Conteúdos reais, imaginados e impossíveis.
A vida é um enigma,
Tão bela quanto inusitada.
Tarde de amores perdidos,
Daqueles queridos e portos seguros.
Eu e os meus pensamentos,
Você que não pode vir
E eu que não lhe esqueço...

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Lágrimas de saudades...


E o mês de setembro chegou, como haveria de chegar. Com sonhos, com flores, com o sol aparecendo e reaparecendo, para alegria de muitos e trazendo as esperanças daqueles que tanto esperavam.
E o mês de setembro chegou sem algumas sombras, mas com a realidade doída de quem não queria que assim fosse. Setembro chegou sem a minha mãezinha, trazendo-me a triste condição de órfã, para quem já esperava, porém não aceitava acreditar.
E o mês de setembro chegou. Quem me vê agora, vê em meus olhos uma tristeza manifesta, olheiras aparentes, choros convulsos que vêm inesperadamente. Já estava, na certa, escrito que o dia 29 de agosto levaria a minha mãe, encantada numa manhã de quase setembro. Esta bruxa malvada levou na mesma data, de anos bastante diferentes, a minha mãe e a minha avó paterna. Logo no mês do meu aniversário.Deixou-as vivas todo o mês , para levá-las para longe, antes que setembro chegasse.
Lembranças de tempos idos, da segurança que nunca me faltou, das mãos de minha mãe apertando as minhas nos momentos mais difíceis.
O horror da morte e do morrer, eu assisti lentamente, ou não, os apitos do oxímetro mostrando pouco a pouco as batidas do seu coração indo embora, até deixarem de existir....
Terrível sensação do nunca visto. Os seis filhos de mãos dadas rezando e dizendo a ela as últimas palavras. Meu Deus foi tristíssimo. Os filhos chorando e a minha mãe morta, para nunca mais voltar. O meu esposo e o meu irmão, médicos, auscultando o seu coração. Ela inerte, cianótica e largada, acarinhada pelos seus filhos.
Nunca vou esquecer este momento de quase setembro. Ando vagando sem destino. Para mim,não tem setembro e nem verão. Tenho lágrimas de saudades doídas , muito doídas...