
A CERTEZA DE NÓS DOIS
Nilo Pereira
A Lila, no dia do seu Aniversário.
Como é doce viver à sombra dos seus olhos
Nessas horas felizes,
Nesses momentos em que a nossa vida
É uma só vida,
Nesses momentos em que sentimos
A integração do nosso amor.
Então os nossos seres são um único ser
E os nossos olhos se confundem
E as nossas almas se abraçam
Na plenitude misteriosa do amor.
Não somos mais dois, somos um só,
Como se um só fosse o coração,
Tão largo como o tempo,
Tão infinito quanto o eterno.
O amor realiza a unidade.
Desaparece o tempo, foge o espaço,
O céu e a terra vivem de um único abraço,
Todas as estrelas brilham,
As águas se iluminam,
As florestas se enchem de mistérios,
As vozes da noite são suaves e puras,
Os anjos cantam, trazidos por uma brisa macia,
Como se todo o universo fosse a nossa unidade,
A totalidade do nosso amor.
Morreram todas as dores,
O mundo está calado e deserto,
Como se tudo fosse vago e incerto
Para só haver a certeza de nós dois.
E então as nossas almas fogem
Cheias de poesia,
E se embalam nas nuvens
E beijam as estrelas
E cantam com os anjos,
Refrescam-se nas águas puras,
Ganham depois os espaços infinitos
Esquecidas do tempo.
Sussurram com as florestas,
Aprendem o canto os pássaros adormecidos,
E a noite se enche de um luar de poesia,
É quando as coisas perdem a cor,
A forma e tudo.
Um novo mundo começa
Como se um novo Jeová
Tirasse luzes imprevistas
De outras Nebulosas.
E as nossas almas unidas.
De mãos dadas,
Diáfanas e encantadas,
Voam, cantam e dançam,
No milagre perene da unidade,
Na mocidade esplêndida do Amor.
1941
** Poema escrito por meu pai (Nilo Pereira ) à minha mãe Lila, quando ainda noivos, em 1941. O poema está no seu livro NOTÍCIAS DO INVISÍVEL. Faz parte do arquivo do meu irmão Roberto Pereira, amado filho, pela sua dedicação e amor sem dimensão...






