
Fui dormir ontem muito cedo, em horário muito diferente do que o de todos os dias. Completa insensatez, pois acordei hoje antes que os galos cantassem.
Esta sensação de não pegar no sono em plena madrugada , deixa o indivíduo quebrado, quase impotente para iniciar o seu dia de labuta. Virei pra lá, revirei para cá, contei carneirinhos, rezei e quase cantei. Não fosse o meu esposo ao lado, dormindo o sono dos justos e até sonhando, se não duvido, teria acendido a luz e me punha a examinar todo o ambiente, mais fascinante do que muitos dos dias. Isto, só descobri quando às cinco horas levantou-se ele quase tonto de tanto dormir. Segredos à parte, tive uma inveja, daquelas que não caracterizam maus sentimentos.
Ainda escuro, abri o meu janelão e deixei que o vento rodopiando me trouxesse a alegria de um dia já amanhecido. Estas são passagens de minha vida. Sem retoques, sou capaz de contar até o que não devo, sem pudores e sem recatos. O leitor astuto já deve ter percebido do que eu falo. Valha-me Deus!!!! Intimidades são sempre intimidades.
Falei no texto de ontem que o amanhã sempre será o amanhã. E melhor que ele chegou, despontando um sol que durou muito pouco tempo. Choveu lá fora e eu, mais uma vez, quis fugir do mundo.
A labuta foi hoje o prazer de todos os dias. Aí não tem dia sim, dia não. Estive atenta a tudo e , no meu narcisismo aguçado, vi-me no espelho como se eu fosse mais do que imaginara. Doce sensação de um mundo azul...





