
A tarde vai passando vagarosamente, sem trazer ares de sexta feira, como se tudo fosse calmaria e nebulosidade.
Deixo-me deter em pensamantos mil, ao mesmo tempo que alguns fluem sem nenhuma relevância. Concentro-me e me torno alheia ao mundo que gira num descompasso, de forma inusitada...
Aprendi muito, ainda que um pouco tarde. Já sei encontrar a paz entre os amigos, já esqueci os males do presente e os afetos da infância, como se o amanhã tivesse sido o inesperado dos esperados. Aqui rola uma Filosofia ou uma quase ilusão do que me era previsto.
Vida, vida minha. Sonhos e realidades se entrelaçam no mesmo momento. Tenho a nítida impressão ou a quase certeza que ganhei quando perdi. Incrível entender tamanha colocação. É que a vida também ensina, deixando o indivíduo passar pelos atoleiros que surgem em nossos caminhos.
Foram os meus pais, minha mãe enferma, que me deixaram o legado da boa educação, das verdades e dos perdões. Há em mim muita saudade, escondida nos porões do inconsciente, mas muito insistente.Quase intrigante!!!
Por vezes, deixo que as minhas lágrimas caiam e outras que estas fiquem contidas. A gente se escancara e se esconde. São fases quase inerentes à vida. Não pensei ou imaginei que assim fosse...
A tarde passa vagarosamente, sem ares de sexta feira. Encontro forças para driblar alguns pensamentos persistentes que perseveram em minha mente, como se fizessem parte de mim.
Disco o telefone, na tentativa de conversar. Não atende esta pessoa. Até a solidão presente em alguns momentos de minha vida já se tornou minha amiga...
Aprendi com as perdas. Foi preciso que assim tivesse acontecido. E que os ganhos me dessem o brilho da serenidade, como se a lua fosse cheia quase todos os dias e o sol sempre a pino!!!





