
Nem sempre é assim. Hoje é diferente. Bateu-me uma saudade e uma reflexão, um tanto doída, da minha infância e adolescência, onde o meu passado foi o início do que sou agora, acrescido de um legado hereditário que me foi muito marcante e responsável por umas e outras.
Fazendo parte de uma prole de seis filhos, onde ocupava e ocupo o quinto lugar na escala dos filhos, fui mais uma entre os outros todos.
Evidentemente, usando a terminologia e o conceito de Freud, a gente sempre esconde em nós mesmos um pedaço que deixamos guardado numa caixinha de memória.
Mas, hoje é diferente. Recordo , com saudades ou não, de uma série de brincadeiras que transcorriam entre nós e de outras rivalidades que davam lugar a brigas, puxões de cabelos e até aos célebres beliscões.
Nunca me desnudei ao ponto de revelar o meu desejo de ser filha única, podendo assim realizar a vontade de ter o meu quarto sozinha, alimentando o meu traço , também, de perfeccionismo, que seria mais viável.
Não posso dizer que fui tão feliz quanto queria. Alimentava sonhos escondidos que seriam impossíveis de serem satisfeitos pela minha mãe querida, mãe de verdade, abnegada e maravilhosa.
Tímida por natureza, ou não, fui sempre recatada e demonstrei sempre uma satisfação, que não correspondia às minhas verdades, tão escondidas , muito mais do que almejava.
Mas, hoje é diferente. Essas lembranças chegam a mim sem que eu pedisse, sem licença e sem que eu tivesse ido em busca para recordar conteúdos que eu já havia pensado tivesse mandado embora.
Hoje é diferente. Tento mudar a tarde de domingo tão igual a tantas outras e substituo pelo inesperado, não tão bom quanto o meu período de pós-Faculdade.
Nesta fase estava mais graciosa, mais eloquente, mais distanciada dos tabus e mais verdadeira. Posso hoje recordar com muita saudade este período que antecedeu ao meu casamento, a vinda de minha filha querida e ao trabalho, tão importante em minha vida.
Acho que estas minhas recordações estariam para eclodir e, como hoje é diferente, veio à tona e me provocou uma liberação de tensões( Catarse ), que me deixou leve e transparente. Precisava desnudar esta faceta e sentir que os leitores são, agora, mais partícipes da minha vida.
A maturidade me devolveu, ou melhor, me deu uma maior vontade de viver e as minhas experiências, latentes ou manifestas, fazem de mim uma mulher que transborda de desejos, sem amarras e sem pudores injustificáveis. Porque hoje é diferente...





