
De todas as maneiras, tento esquecer aquele dia, aquela noite fatídica , que eu recordo a cada momento, sem que eu devesse lembrar por muitas razões e por diversas consequencias que poderão advir.
Nem sei se sou a mesma depois desse acontecimento. Tantas inquietações, tantos temores, tantos suores e tanto sofrimento. Aquele telefonema suplicante, carente de uma voz e que nem chegou a ser atendido.
Meu Deus jurava que ia MORRER...
Pensamentos insistiam em se misturar em minha mente. Pela primeira vez , pensei na morte e no depois, no céu, no inferno, para onde iria, como ficaria aqui em minha casa.
Depois, os afetos, os comportamentos de doação, as dúvidas, os clamores, a insegurança e a quase LOUCURA dentro de mim.
A gente dorme bem e se acorda sob o impacto de um infarto. A minha resistência e a minha insistência em viver, me trouxeram para casa. Os afetos dos meus entes queridos, os presentes, a mudança do visual da casa. Enfim, os parentes por laços sanguíneos,os amigos, as preocupações e o final. Este, doeu demais.
As decepções e os dissabores. O esquecimento do que passei, a falta de temores dos destemidos. Eu e o meu TERÇO...
Perdão, leitores, prometi só falar em alegrias doravante e , hoje, quebro a promessa por amor a um pensamento meu que , se não manifesto, iria corroer o meu ser, muito mais profundamente do que poderia vocês pensarem.
Lembro que imaginei que havia conquistado o amor de todos os amigos,colegas de trabalho, parentes e aderentes. Ledo engano!!!! Nem a doença foi capaz de tanto. Nem as possíveis consequências abrandaram os corações...
Não poderia pensar que a transitoriedade dos sentimentos também existe. Que o infarto "passou" e que agora não provoco mais a pena que eu nunca desejei ser vítima... É a vida girando como uma roda gigante. Tão presente quanto verdadeira...
E que Deus seja por mim e por todos.





