
Acordada desde muito cedo, ouvia o canto dos pássaros. Não sabia "distinguir" quem voava mais rápido : talvez seus voos um tanto rasantes fossem menores do que os meus pensamentos que voavam a mil e muito alto, dando-me uma certa dificuldade em focar o tema central do que se passava comigo.
A noite trouxera alguns sonhos e , ainda, absorta numa sonolência indolente, me deixava levar por uma dificuldade ansiosa em me deter numa só imaginação.
Não me havia mais sono, ou se havia, difícil era conciliá-lo.
A vida tomava novos rumos. Ouvi dizer que tudo que é novo assusta. Não chegara a esse ponto. É um novo velho que, talvez, já tivesse chegado a um limiar de satisfação. Sentia um conflito, uma atração e uma inquietação. Difícil, não é?
Passado algum tempo, a gente chega a conclusões que nunca havia pensado com profundidade.É , quase, sempre assim.
De que adiantara tantas e tantas coisas? de que adiantaria outras e outras ?
Agarrei-me com um livro ,que trazia um conteúdo que não se assemelhava aos meus interesses ou objetivos atuais.
Ler Psicologia é bom, mas distúrbios com os quais não lidava mais era inoperante.
Juro que andei a casa toda. A varanda, ainda, fechada guardava uma sala onde eu perambulava em trajes, se não sumários, mas convenientes a uma noite, que de nada tem a ver com o dia.
Estava à vontade, bem à vontade, numa intimidade que combinava com os pensamentos só meus.
O texto sai ,quase , metafórico para alguns e bem nítido para outros.
O escritor é surpreendente. Um dia , haveria de ser eu também: um misto de conteúdos guardados num cantinho do meu coração, se é que esse cantinho ainda existe...





