
Apesar de todos os pesares. Apesar de tudo que a vida tem me ensinado, apesar de aproveitar o lado bom das coisas e de me fazer valer da minha profissão de psicóloga, ainda tenho medos...
Impressionante este sentimento, que não se caracteriza como fobias(medos injustificados), mas que por vezes me tira o sono e me deixa inquieta.
Dizia mamãe, em tempos de muita lucidez, que eu não era bem compreendida. Ela tinha razão com toda a sua capacidade perceptiva de mãe e todo o seu amor devotado a todos os filhos.
Tenho medo de certas convivências humanas. Tenho medo das palavras que pronuncio.Tenho medo dos comentários elogiosos que faço. Tenho medo, às vezes, do estreitamento de uma relação de amizade, que se torna, muitas vezes, um sentimento antagônico do que foi esse bem querer.
Incrível esse meu sentimento. Sempre uso muito tato em minhas relações, evitando um desfecho de quase ódio, quando antes circulava o amor.
Tenho medo de resultados negativos, tenho medo de quem me conta uma história entremeada de inverdades. Tenho medo das razões de outros que , hoje , me falam com ternura e amanhã me tratam com desdém.
Difícil conviver com esse sentimento, posto que por mais que me trabalhe, psicologicamente, me deixa insegura.
Como falei, não é fobia. Já experimentei tantas e quantas situações concretas, que se tornaram razões coerentes e justificaram o medo.
Descobri, recentemente, não precisou muito tempo, que uma pessoa trocava, nos seus diálogos comigo,a palavra inveja por orgulho. E, isso, inúmeras vezes.
Ainda bem que apesar de todos os pesares, sei conviver com o medo. Também pudera. Perspicaz e dentro dos limites de um bom intelecto, seria demais não reagir com todos os mecanismos de defesa e saber me sentir bem.
Uso o bom senso e "não deixo a peteca cair." Tenho razões e condições de ser contente, apesar de todos os pesares...
Seria demais ter medo de ser feliz! Não acham?





