Naquele dia, eu derramei a minha penúltima lágrima. A última lágrima, eu não me permiti chorar e nem divulgar a que pertencia.
Como disse KIERKEGAARD, o desespero humano não se deriva da depressão, mas da alienação do eu. Não estava desesperada. Havia uma decepção rolando em mim e uma saudade enrustida e instigante, daquela que nos aparece inusitadamente e que se instala sem pedir licença.
Devia estar um tanto frágil e um tanto vulnerável. O choro é uma das formas de expressão de que algo não vai bem e que é necessário nos situar na nossa condição de ser.
Derramei a penúltima lágrima. Não tive como me conter e deixá-las sufocadas. Estive aliviada quando isto aconteceu.
Foi nesse dia que pedi quase socorro aos céus e às estrelas. Poderia ter sido num dia esperado, mas foi tudo tão preparado, sem que eu ,também, pudesse reagir de outra maneira. Teve que ser assim.
Dei um tempo em meu cotidiano. Foram tantas reviravoltas que seria necessário ter uma mãe sadia e muito viva para me aninhar em seus braços e cantar para mim. Mas, os tempos passaram.
A vida é bela, mas é curta. E a última lágrima fora guardada como alternativa para que eu não secasse quando na hora exata.
O tempo quase parado me tirou de qualquer ação/reação. Às vezes, a gente para o tempo para não se desesperar. Grande Kierkegaard.
Tudo acontecera assim. Estou me acostumando com o certo e o incerto, com o afeto e o desafeto, com o bem e com o avesso da bondade...mas, derramei até a penúltima lágrima...
* Kierkegaard: Filósofo e teólogo dinamarquês.(05/05/1813 a 11/11/1855 )
Escritora Eliana,
ResponderExcluirProcurando blogs, encontrei o seu. Fiquei entusiasmada com os belos textos e pelas ilustrações de alto nível.
Quero conhecê-la e pedir a sua autorização para que eu mencione na minha Pesquisa do Cnpq.
Carolina Antunes